2009-11-30

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A obra é iniciada à medida que a composição submete-se ao descompassada por um fragmento sobremodo elevado em que a alma é grito não calado no âmago. Tampouco esta é voz quando se há várias vozes, pois vozes atuam numa mesclagem tão viva, afinal temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e, a protagonista rege em unidade que salta os olhos da plateia. É ato que em renúncia faz com tamanha euforia e a língua uma troca, uma visualização permanente e não memorização. O primeiro capítulo é história repetida de várias folhas em intenso psicografo de tempo outroro e presente. Seriam: os fragmentos agrupados de maneira ajustada e harmoniosa em tinta inexplicável. Pedaços percebidos nos olhos por seus súbitos silêncios ao palco.


. canteiro pessoal

2009-11-20

Deixa o frio lá fora


No inverno, bom mesmo é ficar bem quentinha sob o cobertor, uma xícara de chocolate para tomar e uma excelente partitura literária para ler ou ouvir. Se bem, que, ouvi-la não tem preço. Nada é mais agradável do que esses momentos de calor, aquecer íntimo, quando lá fora tudo é gélido. É no intervalo, um certo luxo sobre o desluxo pincelado nos dias que se silencia para o encontro. Por uma fala lembra-se do centro. E a palavra saudade vem a galope numa tomada de espaço. Assalto por dentro no que estava adormecida. Mas, pensa, em fleches, que nem tudo é como se esquematiza. Na percepção que planejamentos consistem para dá um certo norte, logística, mas que no percurso sofrem modificações. Mutações que trazem amadurecimento e visão de uma nova perspectiva. O recriar sobre o criar em voz de estréia ao palco na pele do autor que fala ontem, hoje e sempre no trilho ilógico. Muitas vezes, confessa aterrorizar-se nas mexidas, pois o condicionamento de gente que temi o inesperado grita o medo de dor. Lembra cada vez que olha, o atrás dum reflexo pesado. Sem estrelas. A volta é o frio e as portas que traduzem gritos. É ser nos passos de não querer que a toquem. Tudo pelo fato de ser estranha aventura que em mergulho na veia silencia aquilo que não queria ser silenciado. Permeia no cranial o por quê desse tipo de silêncio. É agonizante. O tempo é cruel quando se está aflito por respostas. Na real, não sabe qual pergunta a fazer, obrigada a silenciar-se. Definitivamente, decreta ser vencida pelo silêncio do silêncio. Toda noite, na hora de dormir, em pensamentos altos embrenha-se a braçadas ao soneto das rimas. Perto da lareira na expectativa escuta dos dedos que cantam sob o violão uma nota. O relógio bate a tanta na madrugada e no alto da escada por observação ao longe o todo branco. Por não despedida arranhar na pele como viagem sem fim, mas o bilhete de retornos e saltos ao cume do monte. Ser que bate à porta para obter dá existência àquilo que não existe. É tal gemer de dentro a esperança, o aguardar da tecla. Na selva quando acontecido o curvar, a chuva é abundante e demorada. Abrigo do interior. Ao descer levemente os degraus, a fala na perca da vez. Neste exato momento, a sala que começa a dá ritmo de baile da metamorfose e fechamento dos olhos por outra abertura. O prazer do ser vestida bem e, consequentemente, vestir-se aos olhos da apreciação. Do falar por dentro e dentro refletir a imagem diferenciada.


. canteiro pessoal

2009-11-16

Lê amor no amor?


O assunto anuncia a chegada em sua língua que desadormece. E o ponto final não dá gosto. Partos paragrafam a saborosa pausa do degustar vinho tinto. Cheiro de livro inteiro silenciando mar em fúria em versões por palavras captadas pelo tom que é único. As palavras no romper nas entrelinhas das linhas que se lê em nuances. Os olhos vibrantes aos acordes na vida que se escuta, tal e qual como se vê em palavras que se escondem para encontro. Amadora não poetiza no poeta que enxerga na releitura a combinação de notas. O entrelaçado. Bailouço da imperfeição ao perfeito na melodia em pauta por ser no papel de passos em silêncio, ritmo e tempo. Na sala, as mãos em perseguição. O tato ao beijo que vai ao coração. Ao frio da madrugada o conhecido desconhecido em passos suaves de leitura na tecla que é especialista. O aquecimento em coração de pedra. Amor no silêncio amor da demonstração. Em botões na captação por estar esparramado sob o assoalho e orelhas se levantam em sinal de atenção. Conversão à poesia na voz do dono. Letrativo compreendido na embriaguez dissonante que aguça a escala do despertar. E uma doce audição por permitir o acionar no botão do tímpano o todo que vibra. As notas por invadir todos os poros, até conseguir sentir o gosto da partitura na boca dedal. Ao fechar dos olhos enxerga na íris puro e revigorante baile de desmascaramento. Musicalidade que se basta como a primavera no se deixar cortar para vir mais forte. O tempo por escapamento do cronômetro quando dança par à boca da perfeição magistral. Cheiro do enlaço e aromas ofertados que protagoniza história não nela, nem na canção, e sim, nEle. A janela do quarto é história de grandes aberturas solares à cabeceira da cama, fazendo sonho vibrante na personificação de bailarina sempre nos ritmos do que proclama ourindo registros em veia. Pura visão que mergulha ao unisso como desenho em carne viva e à grafite textualiza os contornos alagados de tanto se sentir ser.


. canteiro pessoal

2009-11-10

.por espelho falado


Sou fruto, confesso, de teus olhos em modelação. Teu espelho há minha imagem na tua imagem. O teu nome que dá cheiro, olhos e pele. Palavra que encontra outra palavra. Arrepio maiúsculo. Madeixas em frases que enchem páginas. Lábios que são frutos sempre no amadurecimento. Numa ducha, ouvi-te falar. Falar não tinha e nunca terei. Não sou folhas e nem linhas. Pó sobre este mundo que venta dolorido. Espaço, gritei na madrugada. Noiva em pedido por ser seu poema favorito. Meu nome falado por ti no Gólgota que declama perdão ao eterno. Chorei em tristeza por ser o que as partituras humanas me cifraram em desluxo. Descubro, ser linha em ti na ponte da ligação. E por perseguir-te em flor que se desabrocha na graça de uma dança nas letras mais nítidas cantadas em sua cristalina. No ser adicionada na tua música que é enfeite em pedras opacas por existência nas coloridas. Ao som do vento que traz os acordes da chuva em ingrediente secreto. Fica à vontade para dá contínuo na escrita. Dentro, o que é amor ? Em notas simples que exprimem nobreza, o amor é o que faz e refaz.


. canteiro pessoal