2009-05-14

Som do Vento


Falo-te. Encontro-te. Reparo-te. Na pele nua em letras da vida. Palavras no que se ouve no secreto. Olhos que se abrem no íntimo. Eu e tu, espaço musical que ecoa ao nós. Cá dentro, atuar vival que começa conhecer-mo-nos por entrares em ti ao inclinar. Intimidade no cerne de tudo e o dizer-te sou tua todos os dias. O construir unisso que explode o sentir-te à porta do nós. Calo-me em beleza nua. Aproximo-me no toque de paisagem tua. Pureza tua que meus sentidos dançam ondulante como a brisa do vento. O compreender que por trás das cortinas despe-me de paisagens turvas na mente. Simplesmente no não desamparo que balança ao ritmo de música suave. Luz que acende no entrar de madrugada e percorre a nuca ao lembrete. Sensação de o único suspiro e a credulidade do intenso no mais secreto. Sou alma nua. Sou tua. Tu o sorriso que refaz o meu caminho e ponteando a música que toca no lugar santo e acelera o perder até ti no mais, dando reprodução na memória ao sabor querido. O presente que adormece ao mar do esquecimento o passado e no mais o envolto dos braços aquecidos, carinhos que aguçam os ouvidos para escutar os primeiros sons do sol que nasce.



Lava chuva
traz pra perto
e faz da gota
o ele
Transforma
a casa nua
em freios
de amor
Ela, sim !
Ao puro som do vento



Canteiro Pessoal

4 comentários:

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Olá moça. Penso que cheiros e gostos são intraduzíveis. Como descrever o gosto de uma boca? Como dizer do cheiro de uma nuca? Apenas beijamos e cheiramos e fazemos de tudo isso um apanhado de carinhos que faz o próprio dia amanhecer. Se somos nus aos outros pela nossa própria franqueza, já não sei. Desconfio muito do quanto nos mostramos aos outros. Geralmente, ainda que exista o amor em uma relação, temos acima do amor o próprio medo, o que por vezes faz da franqueza uma mera peça retórica de um discurso vazio. Entretanto, dizer dessa cena, dizer desses minutos da forma como disseste, é algo sublime. E é sublime porque a cena, ainda que encerrada em letras e palavras, aí está e daí jamais sairá. Se um dia for para as páginas de um livro, lá para sempre ficará e daqui há quinhentos, seiscentos anos, alguém irá ler e sentir essa mesma cena que acabo de ler e sentir. O problema é que nós, pessoas das letras, somos escravos de uma arte escassa, somos dançarinos de palavras que encerram a si próprias no próprio momento que dizem. Fôssemos músicos ou artistas plásticos, seríamos mais felizes. Mas pra quê sermos escritores e poetas? Não faço a menor idéia - e apesar de não acreditar na "natureza" do Aristóteles, desconfio que ou seja isso ou seja fruto da nossa criação freudiana mesmo. Mas à parte todas essas divagações, falaste do que não se fala porque falaste do que se sente. Insertos em um mundo que faz da técnica o próprio deserto do ser, falar do que se sente, antes de ser um olhar para o próprio umbigo, é compartilhar com o outro uma experiência que pode ou não redundar em outras experiências - singularidades falando para singularidades a partir da universalidade da linguagem. Afinal, acabo de escrever este recado enquanto o sol certamente se avizinha das nuvens de chuva que o horizonte finalmente trouxe aqui para o Rio Grande do Sul. Quer coisa mais magnífica que essa? Talvez apenas viver. E então sentir gostos e cheiros ao amanhecer. Por isso um beijo.

Prof. Israel Lima disse...

Querida Priscila Cáliga
do blog Canteiro Pessoal,

Que bom que gostou do meu blog. Eu adorei sua visita e comentário.
Fiquei muito honrado diante de palavras tão lindas, que só nos fortalece. Visite-me mais vezes e VOTE nos meus selos de participações.

Grande beijo.

Danilo Castro disse...

Há mundos e mundos perfurando meu âmago, mas são mundos perdidos, dispersos, preciso encontrar as rédeas de uma galáxia.
Seu texto me serve como um "Avante, hombre!"

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Lembrei agora de um poema antigo que escrevi ao reler seu texto, dona moça:

CANTO LXVII - Eduardo Matzembacher Frizzo.

"O toque silente e frio dos dedos da mulher
assustara sua manhã envolta em cetim ruivo.

Abriu os olhos no instinto de saber o que ocorria -
e eram dois corpos brancos num dia prematuro.

Ela lhe pediu calma, pois nada acontecera,
e talvez aquele susto fora apenas resquício
de um pesadelo, um sonho.

Ele cedeu aos poucos. Mas não diante do pedido:
cedeu diante daquilo que a manhã frisava
e fazia do seu corpo um corpo só de desejo.

Então os lábios da noite
deixaram a noite ir.

E à palidez da aurora
um rosto de fez real."

Com carinho

Eduardo Matzembacher Frizzo do http://insufilme.blogspot.com/.