2009-06-09


Amo ao dizer-te algo. Preparo os olhos no edredon e na calma dos dias a deslizar-te. Nos dedos teu, poema a brotar nos meus sentidos dos dias que eu te dei. Fechar dos olhos, fugir do tempo e perder-me a olhar cada palavra, som de pétala e na chuva de amor enterrando minha visão. As minhas mãos escrevendo a sentir cascatas, letras surgindo a desenhar-te. Ao seu hoje apenas escrevinhar o que ecoa nos meus ouvidos, o romper do meu céu opaco. Desejar no achar-te para poder perder-me completamente. Inverno do agarradinho catando as cores no canto porto de abrigo; a minha salvação, a minha saída e o meu delírio. Mundo teu que se move à rotação estonteante da mais pura vivacidade, onde o tempo pára e os pensamentos surgem como cor mais brilhante e cheia de luz. Reflexos reproduzindo detalhes que fora despercebidos, mas num céu preludiando o que está no atual percebido deste doce e terno enleio, e faz meu olhar para o tempo de olhos teus derretidos. Pausada na delícia de achar seu nome sempre. No derramar-te um sorriso e ir até à praia da sua mente, um local onde mergulho em nós e ardo fome das suas mãos em gosto inimaginável. Sentada na areia molhada a observar as ondas que vai e vem, magnânimas e se desfazem em espuma, enrolando na areia, bem junto de onde nos encontramos. O retrato de pétala gardenial à espera da invasão. Ritmo de traços meigos, porque em mim há inteireza de ti, carícia de cada poro teu no meu, esse teu dom erguido no topo do pedestal humilde onde sonho no mais rodopiar como bailarina em caixinha de música. Leve e doce. Teus dedos correndo pelo meu rosto enquanto leio o que escreves em minha pele retinal. Aromatizada do sorriso que brilhas quando o sol feito por suas mãos te inunda. Escorre-me do provar todo o teu saber nas equações de incógnita perfeita. O olhar do teu fundo a tocar essa estrela aqui que não acutila, mas expressão que clama e declama o entreaberto sorriso embaraçando o cronológico. Teus olhos que teimam em não fechar e é prenúncio sempre no inventar e reinventar o atual real e atravessa noites calorosas. Pincelar que aperta suave, mas palpita forte com a certeza de que está sempre comigo como o sol que aquece. Desfazendo os dias de pó todas as manhãs, para que como secreta pérola o ache a plenos pulmões um no outro o tal perpétuo apregoado. Tu que deixas tanto de ti e escrevendo-te ao teu presente do presente, faço café colonial numa valsa bela e te entrego com afago em mãos.



Canteiro Pessoal

2 comentários:

pensar disse...

Que lindo, um transboradar, um renascer, um reinventar de nos mesmos.Isso e' o amor.
Bjs

Lorenzo Tozzi disse...

esse é o tipo de texto que, por mais que eu tente, não consigo escrever. às vezes sinto-me como o baixista que queria na verdade tocar guitarra, mas não consegue pois sua mão é muito gordinha.

passe mais vezes, sim! leia com calma, espero que goste dos posts.

obrigado pela visita. um beijo!