2009-07-05


Estou cá educando o meu olhar da observação para o ver-te e o escutar-te. Ultrapassando tais olhos meus nublados, pois faço parte do processo desta tua reconstrução sensível e pensante. Na mais alta forma de amor e generosidade, num bailado incessantemente repleto de saltos, giros e rodopios. E partindo de sua fala, nossa fala intimal e reproduzindo desse modo o não monólogo que me ensinaram em outrora, o tal impessoal. Sou a tua bailarina no papel que dança a sua música. Ah, como quero dançar pra ti, dançar contigo, apenas. A valsa contínua a perquirir e acontece em relação ao nosso olhar de vida fazendo-se a todo instante. Chove a boa chuva. Penso no quanto meu olhar, muitas vezes, estereotipado me produz paralisia, fatalismo e cegueira. E que a cada dia me outorgado preciso romper esse modelo autoritário do estereótipo e voltar para a observação dum olhar profundo. Em dias de ofuscamento-turvar vê-lo e ouvi-lo como é, imutável. Buscar a sintonia com o ritmo atrás do pensamento da chuva. A harmonia do que está num céu com o esplendor do sol pensando no atuar do que em mim não posso negar. Olhar envolvente e presencial. Repito: É fato pessoal ! Cá leio-me. Dói, claro, a leitura e a releitura. Mas não posso me descortinar das suas letras por perseguir-te pelas ruas sonhadas. Volto mais no amá-las. Ainda que, mortal e descompassada e, sido petrificada por tantos monólogos de outrora ensinados. Caso não aprendi a ouvir-te nem a ver-te, peço-te: a seta até o fundamental, sem me importar com o ontem ou com o amanhã. Para tocar pra ti e apenas fechar seus olhos no escute-me do sentir e dançar sincronismo da minha entrega. Dançar exclusivamente pra ti e a faculdade deste meu livre-arbítrio no teu pulsante como presente meu. Simplesmente num simples piscar de olhos ser atraída por conseguir ouvir a tua voz. Continuo aspirando ser-me parte da sua tinta. Sou-me em inteireza negando a mim mesma para tecer as letras vivas e atrativas não parecendo de todo perdidas no tempo e espaço. O amo no estado de enferma mesmo em perfeição que sou. Os meus pés flutuam em ti na imensidão deste ar real. Soltos cabelos no unisso da ideia do que reflito sobre o que me vem ou que me veio. Simples infantilidade entrelaçada no sentir dos teus dedos à bandeira do amor e recebida no juntos ao astear desta. Alto demonstrar tão nobre e grandioso para uma imperfeita em fraqueza e muitas vezes, despovoada. A água do mar molha meus pés e uma lua bela, grande e clara na frente dum silêncio perfeito. E o tom que começamos agora é sem tom. Muitos: - Mas, sem tom !? Não pode-se escrever música letral sem tom ! Só que cantar assim, é segredos do existir, também, a única maneira de escrever é sem armadura. Aprender a ouvir-te silêncio para recitar sua música. Sim ! O silêncio é fundamental. O silêncio entre as notas. A chave da minha soltura. Está livre, afinal !



Canteiro Pessoal

4 comentários:

Eliana / Lu Maria disse...

Silenciar, amar e partir... as vezes dói tanto!!

Beijos.
LU MARIA

pensar disse...

O silencio a dois, sem perturbar e' amor.O viver para ti e' loucura, o viver contigo e' amor.E que o contigo seja a perda das mascaras o cair dos veus, pois felicidade so' e' possivel na verdade.
O amor acontece...
Bjos Mari

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Nossos passos perseguem o imponderável. Nossos passos se dão por sobre o silêncio das imagens. Mas as imagens somente são imagens para nosso olhar. Longe disso são coisas. Essas coisas é que tentamos dizer quando falamos. E mesmo que jamais seja o suficiente, é isso que nos fazer ser. Além existem os outros: faces e peles em busca de faces e peles. Como nós, querem uma dicção antes de querer uma voz. Muitos se perdem em vasos quebrados que julgam ser o que são. Mas outros tantos, com a paciência dos relojoeiros, constroem um tempo único e múltiplo a partir de cada pedaço de porcelana. O desenho dessas curvas do vaso é o seu texto. E as flores que saíram do frio da serra para avivar a biblioteca é o que planta cada olhar que lê você. Esse é o único imponderável possível. O silêncio apenas cega. Um beijo, Eduardo.

Eliana / Lu Maria disse...

Pri querida! As imagens dos posts estão cada dia mais lindas, em sintonia com teus escritos!

Beijos

Eliana