2009-08-08

chuvisco da grafitação


Chove pelo caminho, miudinha chuva. Da importância. Cai lentamente, anunciando de antemão, que ao raiar do dia, incansável ouvir do dentro partiturado da oferta, é voz enxergando o que está por baixo da primeira camada. No aventurar da descoberta redescoberta. Mas, a vontade pelo correr e dançar ao longe é eminente na pele. Tropeços, desordem na casa e os defeitos exacerbados ao nú ? Apavora-me ! Não sei o como fazer, mas mesmo não sabendo, sentirei-me livre. A chuva não parou e proclama o não. Traz consigo todo o sentir que me envolve e o lembrar do ti. Também, o retornar para aquilo que precisa ser revisto, pois costumo me perder em planejamentos do nada bem fundamentados e por hábito de uma cultura ensinada, que me trazem em densidade nostalgia de vida. Em enleios do perceptível dos dias da reflexão, a pausa baila na permissão, pois vida vivida para o umbigo é atuar o não consolar. Parágrafos vazam na minha pele, grafia num acorde anunciante do extra-extra, 'desperta tu que dormes' para o consolo do jardim silencioso, que seria o meu refúgio sempre, para que não me sinta novamente presa. Simples jardim escondido, oculto e perfeito, propiciando caráter forjado e moldado; em enredo propagando estilo de vida e divino romance. Confesso-te ! Meus dedos, diversas vezes, tecem fuga e teimam em teimar na visão que abriga egoísmo, pois as entranhas denotam o não querer do cutucar, ferida exposta que causa dor, que seria, a resistência do confronto. Mas, como existir em vida sem confronto ? Então, paro a pensar, no ilógico do seu canto, que no confronto vem o conforto do agasalho medicinal, mas, no prisma dislacera a ponto das gotas de sangue, tal qual aquelas nascidas no Getsêmani. Acordo às 5:30 como de costume, me sentindo só em vida do relacionar e com a única companhia das letras. Após, longo choro no prelúdio da madrugada, chorar agoniante e apertado, que tão logo não encontrei explicação na minha grafitação mortal, desfaleci num sono profundo. Dormi girando dentro de mim e na indagação do bailar valsal ao som da melodia que partilha na imperfeição da perfeição, os diálogos longos que tivemos e quero ter. Continuo a escrevinhar pra ti que está dentro de mim, pois é falar contigo em sentimento intenso do sei bem o que não é saber, já que saber ou achar-me que sei algo, é camuflagem e procurar 'estoriar' longos momentos da resposta fácil, pois a resposta genuína encontra-se em enleios do por trás. Tua pena infinito vento é mar do renascer que faz voltas do retornante jardim perfumal. Cheiro do véu da saudade pincelando em cada onda grinaldas de espumas, filtrando o sol. Agraciando-me com sombras vivas do outra vez da profunda profundidade que se perde no espaço do ganho. Quando envolve-me em voltas do lençol acolhedor da pergunta como me sinto, totalmente em estado de imperfeição, me anulo neste quem sou gritante orgulhoso afundado e mergulho na fala vival de que não sou digna do desatar das sandálias que quer se propagar em rendição. - Quem sou ? Nada, simplesmente pó ! Sou o que me reduz a uma alga inerte que não sabe do seu destino, pois se perde por ser uma alma podre. - Qual destino ? No seio do imenso balouço juliético imemorial da memória dos teus planos 'perfeição em nome'. Nome que escorre no meu âmago como uma túnica líquida do vinho novo a ser de novo em vida íntima diária, do respirar-te em grande ar da vida que enuncia boas novas. Onde longas missivas penteam minhas madeixas e purificam meu ser almático, petrificado e cruel. Íntimo meu em sua cama letral conjugando lágrimas derramadas, transbordantes em sentir o unisso num oceano claro e morno. Porto declamando a minha entrega inteira até ser-me consumida em vida vivida do seguro selado.


.teu mais secreto e
cúmplice olhar,
são traços de infinita ternura.




. canteiro pessoal

2 comentários:

E* Ma* disse...

Mto bom!
já está nos meu favoritos!
;-)

Danilo Castro disse...

Imagina um pequeno ponhado de pó perdido no infinito dos ventos, é o que é. Simplesmente pó. Mas o pó guiado pelo vento é inenarrável, pode se tornar um monstro indomável, invencível e melhor, pode se distribuir por todos os impossíveis cantos e os dominar ou contaminar com o poder que emana naturalmente do seu seco e leve corpo, que, em nenhuma hiótese, apenas reflete a luz do sol. É muito mais.