2009-08-29

à procura da veia



É tão. Sim. É tão pleno. Elegante em perfil. Vasto silêncio. Noite na montanha, ser puro. Beleza dos cinco minutos a mais. Alma nua bate ao ficar convencida e admite. O que diz ? Quem ouve ? A dignidade é o silencie, silêncio que não dormita. Inútil esquivar-se. Silenciar brilhante sobre a batalha. Batalha, qual ? O livro de cabeceira retornando do chão gélido ? Mas, no que olha e trilha, tudo está como está. Imóvel ! Psiu denota em anuncio alcançar a porta principal. Abrir sem ranger e a cortina em suavidade na fala do despovoado ao povoado. As ruas brilhantes ao coração que bate, reconhecimento do que ouve, o que diz em secreto, puramente em oculto. Leveza abre e fecha e diz algo. Porventura, silêncio ainda não é silêncio ? A voz falando outra história. Vento é, é a vida. Percebe no perceber, é tão resposta que está atrelada na decisão do empoeirado ao céu. Diz ao dizer, senti mesmo que cause em certos momentos o afastamento da compreensão. Vive ar. É necessário um esvaziamento da mente, para poder nascer. Liberdade ! Quando gritas tu, ouves tu ? Medo desse tão conhecido desconhecido reflexo ? A imagem toda maquiada do rosto não consegue camuflar traços pensantes, medos e apreensões. Não. Não é. Esquivar sem nexo por nexo ao resgate dos pedaços. Flor, não como flor comum, mas faz-se sujeito profundo, ser o ser em essência. A pincelada do início. Os espaços sonoros e, especificamente, os espaços internos da música.


... além do riso e do olhar, naquilo que não conheço. Preciso que me ensines a canção do que serei e me cries com teu gesto. Lya Luft


. canteiro pessoal

9 comentários:

Por Ele. disse...

Silenciar é brilhante sobre a batalha, mas sei que crueldade é imobilidade! Que seja a paralização por amor... Para se reconhecer e se ver.

Bem meu momento...

Canteiro Pessoal disse...

Por Ele. Paula. O seu canteiro está sendo molhado. Flores diversas para cobrir seu acordar e deitar. Durma no silêncio que vos fala em amor, pois a chuva desce e molha as flores do canteiro. Noites e dias molhados de chuva, com vento, e ventania é mar profundo e, lembranças do primeiro amor reacende e retorna numa crescente.
Guarda-te para Ele como um segredo para desvendar. Lembre-se: Há notas nesta tua guitarra que não tocastes. Há praias na tua ilha que não andastes, mas que o Regador quer andar na levíssima leveza do juntos.

.bjs flor incomum!

T@CITO/XANADU disse...

A voz que clama no deserto que sou
Clama só.
Nada diz ou acrescenta
Ao que já era antes
Do deserto ser
Em mim
Inteiro, quente, sêco.
Seca em mim maldades
e sêco prossigo, prossigo
Enxuto,
Só eu e Eu...

Quando grito, grito alto
Grito p´ra mim mesmo
E ecoa no silêncio
Apenas o sentido consentido.
P A Z !

Thiago Ya'agob disse...

Priscila, querida!

Há uma canção belíssima e precisamente forte da Banda Voz da Verdade que diz: "Há momentos que Deus se cala e eu não ouço sua voz. A minha alma grita forte e o mal me destrói... No silêncio aprendi que Ele está a me moldar...”.


Silêncio é algo que pode agregar paz de espírito, mas também pode ocasionar guerra íntima. Silêncio pode ser ambíguo, assim como o homem, que ora sorri ora está a chorar: a vida é mesmo assim.

Há alguns silêncios que me trazem paz à alma e outros que me perturbam.

Vou transcrever algusn fragmentos de Clarice que deixei no último comentário que diz ao post do Danilo Alfa. Leia-os, são intensos como sua escrita:

Eu tenho silenciado algumas vozes internas e externas e tenho colocado som em algumas também. Há o que precisa ser dito e eu o mantenho em silêncio... ** “Mas como te falar, se há um silêncio quando” falo? ... As coisas se acertarão.


• Estou adiando. Sei que tudo o que estou falando é só para adiar - adiar o momento em que terei que começar a dizer, sabendo que nada mais me resta a dizer. Estou adiando o meu SILÊNCIO. A vida toda adiei o SILÊNCIO? mas agora, por desprezo pela palavra, talvez enfim eu possa começar a falar.

• Meu mal-estar era de algum modo divertido: é que nunca antes me ocorrera que, na mudez de Janair, pudesse ter havido uma censura à minha vida, que devia ter sido chamada pelo seu SILÊNCIO de “uma vida de homens”? como me julgara ela?
• Meu SILÊNCIO fora SILÊNCIO ou uma voz alta que é muda?

• Meu grito foi tão abafado que só pelo SILÊNCIO contrastante percebi que não havia gritado, O grito ficara me batendo dentro do peito.

• Até aquele momento eu não havia percebido totalmente a minha luta, tão mergulhada estivera nela. Mas agora, pelo SILÊNCIO onde enfim eu caíra, sabia que havia lutado, que havia sucumbido e que cedera.

• E tudo em SILÊNCIO, naquele meu inferno. Pois os risos fazem parte do volume do SILÊNCIO, só no olho faiscava o prazer-indiferente, mas o riso era no próprio sangue e não se ouve.

• **Mas como te falar, se há um SILÊNCIO quando acerto? Como te falar do inexpressivo?

...

Obrigado pelo carinho sempre demonstrado, Pri.
E peço desculpas se lhe tenho faltado.

Besos.

Pri C. Figueira disse...

Quantas vezes procuramos a Sua voz ouvir, mas o silêncio penetra, nos sentimos tão vazios... mas quem disse que Ele não fala no silêncio, digo através dele!?

Sempre com belas palavras Pri!
Com certeza, vamos sim escrever um texto juntas, vai ser ótimo, me repasse seu e-mail.

Bjuuuu

SAULO PRADO disse...

Lindo este blog, e de uma elegancia fundamental...

Danilo Castro disse...

"É necessário um esvaziamento da mente, para poder nascer. Liberdade!"

Talvez seja algo impossível olhar sem impor nos fatos a minha visão. Seria uma ingenuidade enorme achar que estou liberto dos meus preconceitos, pois uma mente em efusões justapostas e inacabáveis é difícil de ser esvaziada. Mas quando se consegue essa dádiva, é como pescar o Peixe Dourado*, é um estado de elocubração além do que se pode narrar. Talvez por ser inenarrável mesmo, melhor calar agora para eu não me confundir em meus desconexos adendos.


*Peixe Dourado, no teatro, é quando se atinge um estado de tensão dionisíaca, onde através da nossa arte, o público está completamente envolto por uma rede que é impossível de dispersar, destrair. O Peixe Dourado é o público, o pescador somos nós, atores.

Nada para todos nós!

Liberdade para todos nós!

Mas, como diz professora Clarice, há algo a mais a se buscar, pois "Liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome.".

".Felipe Rezende." disse...

olá, priscila, estou passando para retribuir a visita feita ao meu blog, e pelo carinho demosntrado através do seu comentário.
muito obrigado e também adorei o sue espaço.
^^

sempre que der voltarei aqui, e espero q vc tenha gostado do q leu no meu tbm.
bjos, Felipe.

Thiago Ya'agob disse...

Voltei aqui, Priscila.

E há silêncio em suas letras.

Espero que esteja tudo em paz.