2009-09-12

do silêncio comum ao incomum





Senti-se sozinha, pega o seu lápis e escreve. Em prol do tempo esperado, chega com beijos mil pelo letrativo à grafia em que o olhar retorna para perto do longe como um sussurro. A viagem vai ao início. Escritora fica sentada horas a fio na praia deixando a areia escorrer por entre os dedos. Esta constroi morros em miniatura e esculturas indicando o mundo particular. Alma nua. Cada grão de areia fasciná-a como se fosse um cientista olhando por um microscópio. A fundo cada linha da pele, seguindo-as. Num mapa em observação. Que avanço, depois de anos de murmúrios uivos e guinchos. E voz outroral inexpressiva, com pouca inflexão e nenhum ritmo. Da dificuldade de fala e da falta de inflexão da voz, marcando céu fechado. Adulta em coração de menina conseguindo pela primeira vez olhar nos olhos. Diferente olhar em prelúdio. Tão extraordinário lido e relido diário livro seu. Sinal da indicação do raro prazer para uma discente, aprendiz na condição do ler-te em edições novas. Gira um pião, atividade que aprecia. A loucura elegante em total liberdade, conforto aos pés. Gosta de girar sentada no chão, pois a sala vai girando consigo em sincronismo. O mundo gira enrolando as correntes do balanço. No quintal de casa ao balanço desenrola, vendo a terra e o céu girarem. A diferença de perfil denotando paixão no ato de rodopiar. A ponta dos dedos estão úmidas, colhe as palavras que lhe fazem companhia e começa a lavar o escuro da noite até que amanheça. No palco existencial a palavra 'silêncio' numa intensidade incomum. Silencie falado, calado e atuado. Três atores que revelam seus diversos significados, funções, propósitos e mistérios num palco tão vival em que deliberada ou inconsciente, ser racional, está na tentativa por desempenhar sua história, seu drama e comédia relacional. O significado do silêncio, a atmosfera que se instala, o que promove e o que o impede, o necessário por examiná-lo. Um processo de decodificação ou de interpretação, que se apresenta como resposta interna, simultânea a um silêncio percebido como evento externo. Resposta em alfa. Ao trilho silêncio diferente, saída do comum para incomum revelativo e genuíno. Comum é princípio, meio e fim cômodo. Apresentação do prato largo e em insistência por saboreá-lo, causando obesidade mórbida. Incomum causa desfalecer e de muitas indagações não agradáveis, como: indignação e lamúria. Estreito prato de rejeitar pela tal, vacinação contra, tudo por medo. Na experimentação em processo, por momentos retirou-se sobre à mesa. Sobrevindo pensamento por retirada e de maneira deselegante, sem total explicar. Explicar remota que opera resposta dolorida à tinta de não mais e calar, afastar que vagarosamente, rompe a linha de ligação. Chorar da pena. O vento aos dias bate forte, mas não podes levar o sonho ou a confiança da escrita viva. A morte estreita conta uma história sobre a larga. E em tremor, pára para ler esses olhos. Na íntegra, estado sóbrio no girar do encontro, faz perceber o quanto enreda-se por um aprisionamento à teia dum silêncio comum e comportamento do cativeiro por alimentação, do assumir uma qualidade irracional. Atitude que asfixia e acolhida com um golpe baixo na alma. Promovendo um profundo questionamento e rejeição da pessoa sou, confessa: tristeza profunda de doer os ossos. Atual, não podes dizer exatamente que não está lá, mas certamente, também, não pode mais se alegrar com o tipo de presença. Pois, a presença do comum vai mantendo cativa e enlouquece; de trilhar irracional e não em sensatez. Diante da resposta apregoada, sai por pincelar a esperança que não és falida em amor como se intitulava, de que apenas um vento forte bateu e levou por hora num sonho fantasioso, melhor, por palavras liberadas dado voto de confiança, sistemas terrestres que caminham sem vida.

. canteiro pessoal

4 comentários:

Por Ele. disse...

Que mistura DELICIOSA, no mais, não és dona, mas é ouvinte atenta!

Ufa, que bom! rs

Canteiro Pessoal disse...

Por Ele. Paula. Bela gardênia. Realmente, é uma delícia esta mistura do não mais. Ouvinte atenta [pelo menos me esforçando], caçando as pistas e, lendo e relendo, as belas missivas. Protagonista que merece espaço no meu coração, pois é sussurro meu o silêncio incomum. Desde o princípio já necessitava. ". Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia faço o silêncio da minha poesia. E na perspectiva de uma vida futura erguendo em carne viva a sua arquitetura. Não sei se é casa, se é torre ou se é templo, mas é grande e clara, pertence a seu tempo".

Beijos mil

Canteiro Pessoal disse...

Palavras ofertadas do blog 'Por Ele'. É com grande euforia que deixo por aqui como um excelente perfume.

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Ora, o vento que bateu poderia ser forte, mas não poderia levar o sonho e nem a confiança. Creio que para sempre é SEMPRE para um olhar, local e/ou realidade; e isso salvará o mundo da ilusão utópica. É... Não acreditei, era fantasioso.

GOLPE BAIXO NA ALMA!

Vou silenciando tudo para o amor voltar...

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Palavras ofertadas do blog 'Doce Melodia', a dócil Gaby Soncini com belas palavras que perfumam meu íntimo. És uma jóia, bela ave rara.

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Profundo, lindo, cativante...

Poderia dizer muitas palavras sobre seu texto, de todos os seus textos. Você tem uma melodia rara nas suas palavras.

Grande beijo.

Danilo Castro disse...

Por vezes observei as águas turvas das praias do meu Ceará. Especificamente a praia de Flecheiras, onde parte da minha história está trilhada nas areias finas de beira de mar. E não foram poucos os momentos em que sumi do mundo para olhar o mar, para sentir o vento quente e fresco esbofetear meu rosto e desfalecer-me-me-me... É um minuto interminável fora do tempo. Um minuto em que eu me encontro comigo mesmo diante dos mares fortes, das águas violentas que habitam meus enleios. Mas todos nós precisamos desse vácuo de vida, dessa pquena morte indolor para o corpo, cruel para a alma. Mas água que serve para renascermos mais feridos, entretanto centenas de vezes mais fortes, como as ondas da maré avançando pra nos derrubar. Água que vem invadindo entranhas, como um navio a naufragar. A água que vem sem pedir licença e nos faz afundar, mesmo assim continuamos mergulhados, nadando por além das águas que se pode imaginar.


Um grande beijo! A cada comentário seu, fico mais feliz por ler o que ficou do meu texto em você. É como se eu fecundasse um pouquinho de mim noutros seres e atavés das respostas, outros seres re-fecundam o meu desvirginado escrito numa outra perspectiva.


Boa noite!