2009-09-19

o que calado se diz


Longe de ocultar, mas já ocultando a mensagem do falar óbvio. Respirando nos olhos. Atravessa o caminho ? Eis o vazio, no intérprete que senti simpatia pelo símbolo propondo-se interpretação. A curva das letras, tempo no silêncio dos olhos ? Na linha do que pinta inauguração na pequena ouvinte, sendo capaz de se conectar ao elemento maravilhoso. O rumo de idas e voltas no letral, inspirando palavras se tornarem ? O sentido do que diz no diz perfeição. As memórias frágeis de séculos passados embaladas ao sabor dos dias em cheiro, gosto, vinho, com seus imperativos de tudo mostrarem, tudo dizerem e tudo exibirem. Trazendo toda a riqueza subjetiva para uma zona de plena visibilidade. Na nascente, o além da escrita por escrita, mas desenhada e filmada. Vida que faz história de superação; a que vive, as que contamos e as que nos contam. O encontro duma melodia familiar, ainda longínqua, mas com um leve sabor a casa, a resguardo. Num instante que tudo acontece, bom ou ruim. Num momento, tudo atuando no lógico por ilógico, e, embrenhando para dentro de algo. Noivo e noiva, enamorados, certos desenhos recordando montanhas. O divino romance pela escrita não existindo infância sem ela. A poesia que fala: - Renda-se enfim ! Em fases, tendo medo de altura. Medo de cair para dentro de alguém, seria o tal enclausuramento que assola o íntimo. Enclausurar, qual ? Presa numa teia chamado outroral. - Toc-toc !? Memorial do não mais outroral. Ser tomada de assalto: estremecer diante do que nunca foi dito por ela. A carne e a alma imploram atitudes, muito satisfatórias, tanto pra um quanto pro outro. O espírito diz a carne e a alma que são egoístas, fazendo esquecer-te de fazer o que é elevado feliz e limita-se em fazer-se feliz. - Será mesmo que tal ser faz o corpo, a alma e o espírito do outro como o dela ? O que é fantasia ? A palavra 'fantasia' remete-se ao ser essência de criança. "A criança é garimpeira, sempre procurando pepitar no meio do cascalho numeroso que lhe é servido pela vida". Do embriague ao arremate de finitude não finitude; escrita não em paixão, mas no amor que partilha na resolutiva por operação metamorfal. Constituindo identidade e criadora em regenaração de espaços reais ao surreais e, potentes quanto a dita realidade da vida. O uso da palavra mais do que um privilégio, e sim, belo relatos que constroem no reconstruir os dias, ao amanhecer ou ao entardecer. Enredo que fala de perto. A esperança vivendo no silêncio dos olhos que confessam. Conta e reconta cantos obscuros do próprio ser intimal em atuar nu. Uma vida, uma história, em miúdos rica em aventuras dum novo tempo. Mãos molhadas em sílabas que se juntam e formam uma palavra, de ontem, que é a de hoje renovável. A camponesa que segue veloz sem olhar pra trás, numa atravessia em noite de inverno. O disco antigo continuando interessado no mistério, pois sem ele se empobrece o existir, o tal reinventar. O que desperta a vasta gama de sentimentos e embala na música que, dentro do ser, voa. Em que língua se diz ? O espreitar dos olhos nas lágrimas. Nos lábios a frase expirar, ela por ele. Amor que prende liberdade. Por que se cala por fala ao dia da visita ? É voo, no silencio do vento. Pássaro escultor respirando serenidades. O tempo que é habitat do ouvir da voz. Barulho do mar e do vento escrevendo sentir tudo isto.



Ave pousada
em altos ramos.
Em som,
as coisas que,
calado se diz.


. canteiro pessoal

2 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Meus olhos não sabem nadar
e deve ser por isso
que meu olhar
sempre se perde no mar...
[Luciano Martini]

.
Canteiro Pessoal diz: - Ao calado proponho meu ser para sempre me perder no mar. Prefiro não saber nadar, no intuito do indizível silenciar-me na aprendizagem.

Por Ele. disse...

- Renda-se enfim ao Amor que prende liberdade!

Vem noivo em som, as coisas que, calado se diz...