2009-10-30

Dedos por uma língua


No cheiro de terra molhada a carta vaza em minha veia pela história do vista por ti. O cheiro da chuva mistura ao cheiro do mar. Traduz o sentir de maneira tocante, suave e ardente. O cheiro das primeiras flores ao jardim. Ao meu coração na embriaguez do teu peito, em que minha liberdade basta nas tuas asas. Asas ? O sol que me sorrir. O a - b - c secreto do meu poeta em encontro do que procuro no beijo. O luar de seda pura. De minha boca que chega até o teu céu que não está dormindo sobre minha alma. Não era uma vez, e sim é a vez do cultivo e de muito florir perfumal. O choro da espera no fim de tarde que me aquece com luz. Entrada do silêncio cativando por uma passarela em aquarela que num compasso descompasso faz o mundo do meu palco numa nova vertente. Na leitura do bilhete, a rota da boca celeste se encosta na minha imperfeição. Silencio-me do redor para ouvir os lábios que são visão de tempo em orquestra. Especulo por suas andanças num passo lento para leitura em detalhes. Olhar em nuances para não perder os minúsculos que são maiúsculos que respondem pelo seu nome. Falam-me que há poesia nas letras que exprimo, mas é minha pele em processo de tatuação que gemi notas do pedido por seus contornos que preparam a melhor fala para dizer o que sabes decorado em início. A música do acreditar tocante na quebra de meus dilemas. Guardado em mim está invisíveis casos de guerra. Sem vocabulário e por semente de pecado porta fechada, enquanto tu és porta aberta. De língua intensa que espera o sim do aflito na entrada. Tua fala, minha questão de pele conhecedor de todas as chaves. A mestra é fichinha no seu tato. Seus traços são percebidos no meu atrapalhar na hora de abrir a boca e escondidos em tuas asas. Levanto a bandeira da página multicolorida por onde me tocas. E a fragrância não apenas em maçaneta, mas em profundidade da intimidade. Poema em dueto numa sinfonia nunca de partida. Deixa rastros. Os dias que amanhecem às escuras, nas folhas o florescer é decorado por seus dedos. Cada frase, promessa, rimas são versos que decoras em perfume de novas cenas. E em coragem arrisco curvas sinuosas sem ensaios de despedidas. Pois, seu hábil tempo do querer me desconstroi em baile por teu nome. No pôr-do-sol findo repouso no seu colo, é o meu cansaço na aprendizagem que sai com sensação do teu silêncio que cala o mar em fúria. Cores por sensibilizar os meus dedos. Ato que choro todas as gotas pinceladas e enterro todos os mortos cultivados em minha língua solta perversa. Na tendência do úmido é que as cortinas se abrem aos meus olhos e o lugar do encontro está diante de mim. E digo: - Resolvida a vossa menina ? Não ! Apenas, arrumo o leque sobre teu peito e ajeito-me para a tua câmera. Sou atriz que se esconde de si mesma em ser, determinadas cenas comprovam a encenação. É receio. O ser-me conta os segredos da noite anterior e assusta a maestria dos que me cercam, os observadores.


. canteiro pessoal

3 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Um grito por rasgar o céu. É minha boca te chamar. Nas paredes do meu quarto seu tom. A música do dueto toca em meu coração.

O Espelho de Eva disse...

Garota, como é belo o que escreve!!!!
Este texto começo caindo em mim em gotas de garoa e acabou desabando como um temporal... por favro eu preciso da calmaria!

Beijos.
Deus te Abençoe!

T@CITO/XANADU disse...

"...os dias que amanhecem às escuras..."

Transpor a cortina do existir,
E contemplar daí o labor da vida.
Poder sentir-se onipotente, enquanto
O limiar do alento excita a expectativa,
e a inércia da morte, a agonia,
De qu'ao transpor essa fronteira,
Tudo é nada, niilismo, escuridão.

Não fosse a eterna incógnita,
Que anima a trajetória dos viventes,
De talvez galgar os mistérios insondáveis,
O viver seria morrer em plena vida.

PAZ!
Tácito