2009-10-01

simplesmente assim


Eu e tu, simples assim. Meu nome no teu nome. Hoje e amanhã. Amanhã do hoje futuro. Segredo dos lábios nos teus pés por delírio. Suspiro. Marco a pele com o silêncio da feira na semana. Havia tantos legumes, verduras e frutas cheirosas e belas. Suas formas e cores preludiaram o meu escrever implicando desnudar-me com mais intencionalidade. Apreender-me no confronto que inclui aceitar a dor neste processo de esvaziar o armário e as gavetas. Na essência ser-me ajustada à condição do artista que constrói e reconstrói no âmago a forma exata o personagem a ser apregoado. É rua quase deserta espaços no íntimo. O ar como frio cortante. Mas, desperto-me para sensações a serem sentidas. A casa por mais do teu aquecido enlaço. A inspiração que vem de longe e os dedos que fazem cócegas. O branco e límpido papel convidando as letras por lá se espalharem. Sou-me desconhecida e conhecida no ritual de Emaús, que despeja trapos envelhecidos. E, apressadamente, o que se fez criminoso, desmarcando trilho torpe e marcando pés no silêncio do levantar-me ao perdoar porque menina não sabe o que fazes. Só o teu nome conhece o meu nome. O teu nome repete o meu nome, nome a nome, sílaba a sílaba. Linguagem da cena denotando continuidade de comunhão, contato direto e eterno, sem congestionamentos e sem terceiros. Erguer da voz humana ao caminho no abismo gritante e por possessão do que lhe pertencia. Na entrega do cordeiro que é alvo como neve. O gemido meu em voz alfabética, muitas vezes, num desalinho e descompassado caçando-te amor envolvente. É em Betânia num jantar que me chego sem ser notada. Ajoelho-me aos teus pés mestre e o vaso quebro, deixo o perfume se espalhar. [... ] veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. Marcos 14.3 e beijava-lhe os pés e os ungia com o perfume. Lucas 7. 38 Em vida íntima quebro uma taça, um vaso, significando o mesmo que dizer publicamente: - Este objeto jamais será usado para outro propósito ! E deixando claro, ao quebrar, no ato, que não só o meu interior, coração, alma, sonhos, confiança, esperança e futuro, pertencem a ti, mas que todo o meu exterior, relacionamentos, atitudes, projetos... tudo o que tenho, jamais servirá para qualquer outro propósito, enquanto viver neste mundo passageiro. Tu que jamais me poupou nada [não poupa], sempre atencioso, carinhoso, e, além de tudo, faz-me acreditar que "mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização", na vida eterna e abundante. Sempre operante no procura-me como cenas de um filme colorido. Amo-no mais. As lindas gardênias e o cartão exalando resplendor me atraem. O seu entrelaçado acalenta-me e me faz aguardar sempre uma nova manhã para mais um gesto intenso em cor de reticências. A intensidade originando palavras ao beijar letrativo que sela o demorado, marcando na retina o silencie ardente e envolvente da inteireza. Cartas do vazar diferente perfumando o quarto de escuta que abriga e a cama letral que faz calor vibrante. Sair do padrão das folhas para adentrar nas paredes numa obra-prima aplainando olhares à espreita. E o som do meu pincel pintando o prenúncio do sempre à entrada da casa enfumaçada. Ao mimo por sons dos compartimentos que não abortam e ofertam regaço como mãe ofererecendo o seio ao filho. Vou escrever-te missivas. Até não ter mais palavras. Até os dedos me secarem, até os lábios desistirem. Vou inventar linhas em papel branco e ao indizível o que eu quero dizer. Ao abrir palavras em desdobras, enquanto não tiver voz. Escrever-te aquilo que não sei dizer. Perguntar-te. Coser os desejos antigos aos novos, para que não se rasguem com o tempo. Despir-me do velho para ter a tua pele branca sobre a minha. Do peito tirar na decisão das linhas reais o torpe e esperar que me cure. No fazer tintas para não doer a cirurgia. Assim, descobrir o véu sobre o espelho para te ver. Na ponta dos pés como uma bailarina despendurar-te das minhas paredes para dançar os teus gestos. Apagar as fumaças negras permitindo que abra as janelas e seque as nuvens brancas por céu azulado. Fazer a cama para sua chegada à noite. Não me arrefecer, mas no teu calor aos meus lençóis aquecer-me em temperatura ilógica. Colar o teu sabor no meu íntimo e arrancar do corpo a fúria do que as trevas fez.


Nas telas que assino,
diante do espelho,
simplesmente, Vaso de Alabastro.


.canteiro pessoal

3 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Escorre do ventre
a voz do admiro-te.
Escrevo teu nome
nas folhas diversas,
na mesa, nas árvores,
na areia e na neve.
Nas minhas coisas reunidas
a luz que não se apaga.
Diante do espelho e quarto intimal
que nasci para te conhecer
e para te amar Liberdade.

Priscila Cáliga

Gisleine Monique disse...

Olá Priscila, tudo bem?

Fico feliz com sua visita em meu blog, confesso ficar curiosa por saber em qual espaço me encontrou que não deixou passar desapercebido o comentário em questão (risos).
O bate - papo com o escritor incomodou muitas professoras da rede pública, tanto pela falta de estímulo que estas dão aos alunos, quanto pela cultura ensinada. É lógico que a culpa não são dos educadores, como diz o escritor a escola não está apta e nem mesmo foi criada para formar leitores, e como citou você, o mundo trilha na cultura visual. O que me preocupada mesmo são as influências, principalmente a cultura americana que desvirtua a identidade de nosso país, descaracteriza uma nação, seja nos romances reinventados de histórias vampirescas, best - seller, os "super - heróis", enfim, uma "cultura" feita para não questionar. É lamentável quando vemos os livros encalhar, empoeirar, títulos como Machado de Assis, Guimarães Rosa, José de Alencar, mestres da literatura brasileira que só tornam - se conhecidos pela obrigatoriedade no vestibular. Eu acredito muito na política do império romano "A política do pão e circo", já o escritor prefere falar da Ditadura Militar como principal destruídor da educação, ou seja, a falta de oposição. O escritor realmente nos leva a pensar e refletir, a pensar em políticas públicas para a educação e me fez despertar para as rodas de leituras. Eu conheci um projeto de rodas de leituras que acontece na periferia de São Paulo e penso em aplicar e acompanhar o desenvolvimento dessas crianças aqui na minha cidade, uma cidade de 90 mil habitantes, com características rurais, segmentada pela classe C. O projeto visa trabalhar as inúmeras interpretações de um texto, não é o tipo de leitura solitária pois ela acontece em conjunto, uma roda de até 10 crianças e aliada a essas interpretações, ativar o oposicionismo, penso em trabalhar com crianças de 10 a 12 anos no período de 1 ano. Acho que assim podemos colaborar para um reforma do ensino adestrado, não digo somente o ensino nas escolas, mas a religião, os costumes, a vida em si, enfim, seria utópico de mais querer mudar o mundo, mas acredito em seres multiplicadores.

Eu também te linko como parada obrigatória,

Meu melhor abraço pra ti,

Gisleine Monique

nereida disse...

Simplesmente assim... lindo!!!
Beijo e um dia cheio de paz e beleza para você no seu jardim da vida!