2009-11-20

Deixa o frio lá fora


No inverno, bom mesmo é ficar bem quentinha sob o cobertor, uma xícara de chocolate para tomar e uma excelente partitura literária para ler ou ouvir. Se bem, que, ouvi-la não tem preço. Nada é mais agradável do que esses momentos de calor, aquecer íntimo, quando lá fora tudo é gélido. É no intervalo, um certo luxo sobre o desluxo pincelado nos dias que se silencia para o encontro. Por uma fala lembra-se do centro. E a palavra saudade vem a galope numa tomada de espaço. Assalto por dentro no que estava adormecida. Mas, pensa, em fleches, que nem tudo é como se esquematiza. Na percepção que planejamentos consistem para dá um certo norte, logística, mas que no percurso sofrem modificações. Mutações que trazem amadurecimento e visão de uma nova perspectiva. O recriar sobre o criar em voz de estréia ao palco na pele do autor que fala ontem, hoje e sempre no trilho ilógico. Muitas vezes, confessa aterrorizar-se nas mexidas, pois o condicionamento de gente que temi o inesperado grita o medo de dor. Lembra cada vez que olha, o atrás dum reflexo pesado. Sem estrelas. A volta é o frio e as portas que traduzem gritos. É ser nos passos de não querer que a toquem. Tudo pelo fato de ser estranha aventura que em mergulho na veia silencia aquilo que não queria ser silenciado. Permeia no cranial o por quê desse tipo de silêncio. É agonizante. O tempo é cruel quando se está aflito por respostas. Na real, não sabe qual pergunta a fazer, obrigada a silenciar-se. Definitivamente, decreta ser vencida pelo silêncio do silêncio. Toda noite, na hora de dormir, em pensamentos altos embrenha-se a braçadas ao soneto das rimas. Perto da lareira na expectativa escuta dos dedos que cantam sob o violão uma nota. O relógio bate a tanta na madrugada e no alto da escada por observação ao longe o todo branco. Por não despedida arranhar na pele como viagem sem fim, mas o bilhete de retornos e saltos ao cume do monte. Ser que bate à porta para obter dá existência àquilo que não existe. É tal gemer de dentro a esperança, o aguardar da tecla. Na selva quando acontecido o curvar, a chuva é abundante e demorada. Abrigo do interior. Ao descer levemente os degraus, a fala na perca da vez. Neste exato momento, a sala que começa a dá ritmo de baile da metamorfose e fechamento dos olhos por outra abertura. O prazer do ser vestida bem e, consequentemente, vestir-se aos olhos da apreciação. Do falar por dentro e dentro refletir a imagem diferenciada.


. canteiro pessoal

Um comentário:

Canteiro Pessoal disse...

É com grande alegria que colho este recadinho tão belo, exprimido por uma ave raríssima.

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Ah, o frio lá fora; cá dentro o calor e aconchego de cobertas e chocolate( pode ser chá , também!)quente. Uma música suave espalha-se pelo ambiente; a vidraça encontra-se embaçada pela chuva e pelo frio...
Um livro descansa por um momento no colo...
A alma está quieta.
Seu lindo texto fez-me visualizar tudo isso! Beijo e lindo fim de semana.

Nereida
14/11/09