2009-12-05

Vida tu, Vida ela em tu


A tua orquestra é leitura pautada em releitura que deixa traços. Profundidade de marca. Melodiar em chamamento e o pensamento não atua isolamento. E além das cortinas abertas se é conduzido por leveza em dança dos acordes que nos lábios traz silêncio e os pés se deitam no aconchego do pôr-do-sol. Ato do abrir de mente por um mental voltado em suaves entoações que se misturam, derramam e entranham proporcionando não escapadela superficial, mas inexplicativa renúncia. No ar, solta-se de forma intensa as palavras do envolvimento em veia que ultrapassa dimensões e não consegue deixar por um minuto, pois é ritmo de uma sonata em intensa composição movimental. Sem conseguir pregar o olho, pois há um maestro em observação. Resultado de ser imperfeito ao laço do perfeito que no fundo dos olhos vê o reflexo que é teu. É início sem tantos fins apregoados, mas constância que se encontra nos livros e na própria história à punho psicografada, apercebendo-se que é a força poderosa do sol nascente. O caminho que toca o tempo e conjuga o sentir que estremece provocando uma reviravolta. E as palavras que reescreve é uma linha imperceptível, que pousa à mercê da brisa em dança voraz ao sopro de sua voz. Em cada dedo, um toque além do tempo em questão, pois no desalinho formula uma nova perspectiva em passos ousados. A maciez da voz ecoa em cada poro da pele em seda que aninha a música suave embalando estações. Uma palavra escrita e falada de terno chegar. Som que fecha bocas ao resgate diário da liberdade em palco. É partitura do encontro de um ser com o epílogo da sua consciência. A retrospectiva instigante, profunda e excelente. O papel de sofrer doce ao âmago do racional na existência que é existir e, das escolhas em vida por revisão, que, quando ser parece se asfixiar, retorna bravamente de forma erguida ao encontro entre o limiar dos palcos da vida e o além das cortinas do desconhecido. Na primeira luz que ilumina no escuro, as cores são de glória e faz respiração vida ela em tu em pulmões quando no portão do jardim anuncia conhecimento. Chama o nome defeituoso em todas as épocas e o braço é estado permanente como no Éden caminhando em diálogos com o ser nu sem vergonha, um doce banho de chuva inocente.

"Vida, minha vida. Toquei na ferida. Nos nervos, nos fios. Mas, vida, ali. Luz, quero luz, sei que além das cortinas são palcos azuis". Chico Buarque


. canteiro pessoal

3 comentários:

Danilo Castro disse...

Mais um fruto:

Há tempos não andava por cá, por esse jardim de flores insanas, descoordenadas. Comecei a ler "O Retrato de um Artista Quando Jovem" de James Joyce e lembrei de vocÊ. James me soou intenso e indefinível. Quando mal percebo já estou perdido em meio às flores, sem saber o que é começo,o que é meio, o que é fim. São mil idéias difusas, todas com a mesma força, sem nada de hierarquização. Isso é bom, muito bom, mas eu me sinto tonto talvez pela minha imaturidade literária.

Moça das belas palavras embriagadas, desculpe minha ausência e muito, muito obrigado pelo carinho de sempre.

Sempre que há algo seu no meu blog, sinto que além de palavras, um pouco de adubo e flores também ficam semeados por lá.

Luz, Luz, Luz. Mas é na penumbra que descobrimos nós mesmos. É na penumbra que nos enxergamos de corpo e alma.

Receba meu abraço e meus bons votos de fim de ano!

Danilo.

Canteiro Pessoal disse...

Danilo. Homem [jovem] de cheiro bom. Andas no tempo certo. Aprecio a ausência, pois quando a presença ressurgi é avalassadora em cena, sempre uma pré-estreia. As flores insanas e descoordenadas 'cujo sentido que é a própria ausência de sentido'. Peregrina à busca das 'epifanias'. Menina ao mesmo tempo Mulher-Adulta tonta 'não' no talvez, porque amo estar no trilho da minha imaturidade literária. Pois, me conduz nos pastos verdes da busca e sede. Sou ser agradecida sempre pelas letras que tenho nas entranhas, mas consciente que sou copista do que é 'palavra'. Metida à filósofa que vive permanentemente à porta no papel de 'curvar'. Realmente, 'é na penumbra que descobrimos nós mesmos. É na penumbra que nos enxergamos de corpo e alma', afinal de contas, estar morta [isolamento fundamental] é estar em vida e percorremos várias 'linhas' intensas que dão outros capítulos. "A utopia pode ter muitos defeitos, mas pelo menos, uma virtude ela tem: ela nos faz caminhar". [Cunha, Eugênio] Pausa. Leitura fascinante 'O Retrato do Artista Quando Jovem por James Joyce', e sou remetida ao trecho: "... e o som e a dor encheram-lhe os olhos de lágrimas escaldantes. Todo o seu corpo tremia de medo; o seu braço arriava e a sua mão entortada e lívida abanava como uma folha solta no ar. Um grito saltou-lhe aos lábios, pedindo para acabar. Mas apesar das lágrimas lhe encherem os olhos e seus membros tremerem de dor e de medo, reprimiu as lágrimas quentes e o grito que lhe queimava a garganta".

Abraços 'hombre'.

Thiago Ya'agob disse...

Boa noite, Priscila.

Faz um tempo que não tecemos trocas em escrito. Isso faz falta. Isso amadurece, também.

Chuva inocente.

Poderia me estender em comentários mas é que toda vez que me deparo com algum escrito como este seu, no qual encontro águas, tomo ciência que o renovo se faz necessário: Como eu preciso renovar-me para ser. (Um doce banho de chuva inocente seria bom: Recordo enquanto coso estas linhas da minha inocência no olhar, no falar, no pensar – menino).

Amiga em letras,
Receba meu abraço singelo em letras igualmente singelas, mas de coração.

É bom. É renovável.

Um ótimo final de semana, amiga.

Beijos fraternos.