2010-01-03

Como seria olhar?


A face como música que se silencia. Do riso que se foi embora. Não é a mesma ? Se bem que, a melhor escrita está nos goles de vinho já embriagada. Nas trocas corre pelo ar interrogações sem respostas e respostas sem perguntas. O espaço está cheio de vazio e, num olhar pensativo. De máscara sobre máscaras, face mascarada na peça que invade sem piedade a alma. Não se pode negar que o atributo de atriz foi ouvido num eco longo. Das palmas ao longe se ouvia e era cantoria. Ainda pouco tudo era euforia. Mas, depois que a festa acabava, a música parava de tocar. A solidão companheira das horas no tempo que ficava travado. E na tristeza sutil e bastante insistente que acompanhava o agora simplesmente agora. Por que tanta roupagem ? A encenação nada mais é que se esconder. É preciso admitir que o público possui um papel de vilão nas horas de revelação. Quem não tem uma história para contar ? Claro que, será uma cena incomum diante de relatos culturalizados, programados na língua por falar. Verdades que escondem grandes mentiras. Facetas são fantasmas que continuam ali, basta sentir o cheiro para que tudo insista ser outra vez. Tantas idas e vindas, enraizadas e enrugadas no mesmo ponto de partida. Cortá-la é fundamental, pois joga-se diariamente no abismo. Algum ser racional acalentará a atriz no enredo real ? Há um anúncio na época, o umbilical é chamada e respondida: - Presente ! O disfarce é olhar enigmático na crise que rodeia. Dizem não entender a partitura, mas a questão é que se observa como todos ao visual trilham em entendimento. As palavras indecifráveis requerem um outro trilho. Há empenho, disposição para ouvir o que se fala ? Nota-se leitura complicada na leitura como falam, mas a respiração exprimida diz que existe coragem para desfazer das máscaras. O olhar de outro ângulo, postura de tamanha importância que mudam conceitos. Difícil entender no que é lido agora ? Então, mergulhar-se ! Definitivamente, absorver o que é bem mais difícil no encontro do que é fácil. Está escrito no ar com lápis branco. É necessário jogar tinta, propriamente a certa. Sangue !

. canteiro pessoal

2 comentários:

T@CITO/XANADU disse...

É preciso que usemos as máscaras, sob pena de não sermos de imediato
reconhecidos.
Normalmente somos dinossauros quando descansamos nossas máscaras.
Quanto a tinta, você está certa. Agora que observo aqui em um canto uma pobre pena de bico amassado pelo esforço que desprendo ao escrever.
Num recinto fechado, com uma platéia seleta, tem se o mesmo discurso.
Os olhos que vêem, as mentes que acompanham, distribuem ao mundo, só que em várias versões.
Ah! como difere, a atriz, com sua imagem disforme.
Adiantaria olhar de outro ângulo?
O tamanho do mundo do animal é o tamanho do alcance de sua visão...

P A Z !
Tácito

Pri C. Figueira disse...

Olá flor!

Que saudade de passear por esse jardim, de sentir o perfume das petalas de cada flor!!!

Lendo seu texto fiquei a pensar... Coo muitas vezes nos escondeos atras de disfarces, de mascaras..
E me perguntei como seria olhar? O real, verdadeiro, aquilo que é!
Talvez tivemos muitas surpresas...

Beijos.