2010-01-28

A fonte do amor, do amar a vida.


O que escrever ? As palavras surgem mediante uma leitura voraz. Leitura de escuta, embalada no silêncio. Por que se fala tanto em silêncio no círculo do ser que atua a arte da escrita ? Tempos atrás, em uma sala de aula foi solicitado que os discentes fizessem uma redação, o tema era até saboroso. Mas, uma jovem estava inquieta no recinto, apesar da prática diária com as letras, sentiu-se com a mente vazia e desgostosa pelo espelho que contemplava a frente. Absorvida por aquela tela, os olhos enunciavam enredo catastrófico. Negra a visão, e as letras escapuliam de um sentido. Sem conjugar os verbos que em gentileza chamavam os versos para rimas na subjetividade. A solicitação do agora trazia descompromisso no amor pelo alfabético. Morte de uma identidade. Por que sistema teima em assassinar o abstrato e a inspiração ? Diante do imposto, fez o que não era seu perfil. E a frustração no pensamento acarretou um impulso da alma, pois escrevinhou dias após o silêncio, grito mais forte, mas na pena que ficara doída. A arte da escrita que em concepeção adquirida no quarto de escuta, requer enamoramento e conquista, liberdade para ser o que tem que ser. Busca e aguarda ambiente aconchegante e peculiar. Somente papel, letra e ser. Para que da tela abrilhante simplicidade em forma de releitura, pois pouco ocorre à prática nos olhos em espreita. Onde está o pensamento no simples ? Olhar o que ninguém olha e é beleza incalculável. No enigmático do não enigmático penetrar a alma e traz paz ao espírito, desnudando os segredos. E na mala traz cheiro, sabores e beijos, o completo. Na pulsação do ler e reler páginas adentro no que por dentro é escrito em registro a qualquer minuto. O lado da vida do pássaro que canta e recanta, na margem do rio, que é soneto na explicativa das flores. Qual flor ? A que o espelho está refletindo. E que se dança a música de dentro, convidando para um jantar. Em pele que tece, versa o viver e a fonte do amor que toca à memória e desperta o demorado no ficar aprazível. Palavras que ardem e desfazem os mitos existentes. Debaixo da pele a cor que realmente é tintura a ser apregoada por um vinho que penetra o vazio. Boca no experimento em cor da aurora, belo verso em aroma. E proclama: a boca ousada que beija é tão doce, que na entrega a define em partituras.

. canteiro pessoal

4 comentários:

Costureira de estrelas. disse...

Olá... Obrigada pela visita em meu blog! Acho que foi a primeira pessoa a questionar o nome! RS
Tentando explicar... O nome costurando estrelas remete a idéia de que quando as coisas não estão muito bem, sempre tem algo que podemos acrescentar... Seja da forma convencional (cada um tem uma), ou costurando... Poesia... Sonhos... Metáfora pura!!! Mas que pode dar certo com pensamento positivo =)
Gostei do questionamento... Espero ter respondido rs =D
A propósito! Gostei muito da maneira que escreve =)
Beijokas =*

Barbara disse...

Palavras = verbo e o verbo cria.
Como criastes aqui nesse texto de forma tal que em figuras se fez literal.

Thiago Ya'agob disse...

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei
a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes
de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros
apocalípticos? Se esta história não existe passará a existir. Pensar é
um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que
estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato
interior inexplicável. A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível,
extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique.

Clarice in A hora da estrela

...

Paz, Priscila. Sempre, sempre paz. Paz.

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

O reflexo destrói a escrita. Mostra a face daquele que escreve. Mais vale a folha em branco do que a areia do espelho. Branca, união de toda cor, a folha ou a tela desvela aquilo que o reflexo destrói, pois jamais se é na carne que pelo mundo se anda. Ainda que pêlos, plenos de sentidos e sentires, sejam a razão do estar, e o "de dentro" seja mais "de fora" que "de dentro", a imagem pela imagem nunca será alcançada. Para sempre seremos bonecos de um discurso que historicamente nos atravessa e historicamente nos faz escrever, fumançando alguma arte nas frases que por vezes despontamos aos olhos daqueles que nos lêem. Por isso, arte é desnudamento completo tanto da imagem quanto da carne, é palavra que não se faz com artesanato pueril ao deus-dará do que alguns chamam de "fluxo de consciência", mas sim com técnica, paciência e imaginação, calculando cada verbo e substantivo em sua função praticamente matemática para que o texto possa enfim alcançar sua morada artística. Distantes disso, abismados, permaneceremos quietos mas não silenciosos, pois se silenciosos ficássemos, talvez o nada, o vazio, que é justamente a origem e a casa do ser e de todas as vozes que serpenteiam nossa garganta, finalmente em discurso se transpusesse. Essa deve ser a aflição da sua aluna em uma época de títeres e de imagens por sobre imagens que anulam a mínima realidade que nos faculta tocar, restando tão-somente um reflexo maquiado em um espelho manchado pelos alfabetos. Um beijo, Eduardo Matzembacher Frizzo (do blog http://insufilme.blogspot.com/).