2010-02-20

No silêncio pousa a música


O parto no prelúdio da manhã de anúncio. Anúncio ? Despi em reflexão, enquanto no quarto a imagem observa. É ! Imagem. A música nos pés da nua sendo falecimento no que presencia. Qual é o caminho em direção à taça de vinho ? Transmutação do velho na chegada do filho aos braços ? Fêmea na descoberta do viver perolado ? Na medida que adentra provocar um grito na retirada da roupagem. Grito !? O coração por bater disparado e para fora. Ao inflamável ser de intraduzível contorno que é capaz de incendiar um lençol frio. Na boca a urgência do silêncio, a maneira louca de amar fugindo das cartilhas. O reencontrar constante dos traços finos desfragmentando o todo estruturado no desestruturado estruturado em tinta que valsa. Sim: as muitas palavras doem no território. E o sussurro em flutuar por distintas direções. A direção da direção, aonde ? É visível a excessiva confusão nas atitudes. E a fuga ? Ecoando sorrateiramente no encéfalo como adaga e na destruição dos contornos. O resultado trabalhoso do garimpo que tanto revela águas profundas e a genuína beleza nobre por água abaixo. Agora toca a nota máxima, a última gota de sangue no papel. Lamentável o que assola. Ah, o tempo passa e o perdido não retorna, e as pelancas serão o retrato de tanta superficialidade. Os olhos fechados batem à porta e o coração em sintoma do sacudido, exprimindo resgate proveniente à cegueira é a lama humanista. Sabes que há uma fruta saborosa para ser devorada. A dança do silêncio, gotas do serenar derramadas através do olhar. Palavras que jorram das digitais, na boca que procura a boca. A personagem ser anseio contínuo percorrer em mãos na curvatura do luar. No voejar por estar no encontro de que não se trata de um qualquer, e sim o inteiro. A razão dos poemas. O motivo de entrega e curvar, e lágrimas ardentes de paixão, pois é infinito artista. Alquimista que provoca morar dentro do dentro. Planta e [re]planta o pensamento no olhar, e acaricia pulsando. E cria escultura, e para o esculpir não precisando de vista. O mel na saliva, e os beijos pequenos e grandes, alimentando o seio. Corpo que é como uma árvore, florescendo e dando frutos. Não adormece nas madrugadas frias, mas labaredas deixando a alma em febre. O que não fala, canta em retina. De amar o que é complexo, escrito à flor da pele. Não escuta como ouvintes escutam, mas em tato escuta o por trás da pele, e o mar não cessa mais de entrar dentro.


. canteiro pessoal

8 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

O caos organizado de suas palavras nos faz caminhar por um labirinto cada vez mais calmo e intenso, porém deixando a saída cada vez mais longe!

Kanauã Kaluanã disse...

Priscila,

Desde "a imagem que observa" ao mar adentro, seu texto transgride, e que bom que transgride! qualquer linha reta. As palavras descartilhadas, desregradas assim, são as que dizem mais.

Um beijo.
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Katyuscia

Alexandre Fernandes disse...

Um misto de sentimentos tão cálidos, que encantam a alma.
são infintos sopros de veludos.
Pequenas partituras de´uma linda canção.

Que Lindo querida.
Muito bonito.
=)

Beijinho.

...EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR... disse...

Seu estilo é como as músicas de Wagner;necessário muita atenção para não nos perdermos em sua notas perdendo também a sua sutileza!

Parabéns!

Um beijo!

Sonia Regina.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Olá.

Primeira visita ao seu espaço de sonhos e sentimentos,
e levo comigo palavras carregadas de sentimentos.

Espaços assim se justificam pela ternura que inspiram.

Um inspirador final de semana para ti.

Lis. disse...

Olá...

Li seu comentário no blog da Inês (dois-rios) e achei interessante fazer-lhe uma visita, a fim de conhecer este seu espaço.

Sei que há muitas coisas das quais pode-se escapar, mas há duas coisas que ninguém escapa: uma é do amor e a outra é da morte.

O amor ensina o óbvio, e portanto, posso enxergar experiência nas construções dos seus textos. A sua sabedoria interage com sucesso no sentido das configurações harmônicas das palavras.

Sentido?

Sentido.

Priscila Lima disse...

belissimo seu blog!

Thiago Ya'agob disse...

Bom dia, Priscila. Tudo em paz, espero que sim.

Querida, fica difícil tentar comentar algo após ler seu escrito tão intenso, íntimo.
Vou deixar Clarice, em Água Viva, falar por mim, ok?

“Eu, que quero a coisa mais primeira porque é fonte de geração - eu que ambiciono beber água na nascente da fonte - eu que sou tudo isso, devo por sina e trágico destino só conhecer e experimentar os ecos de mim, porque não capto o mim propriamente dito.”


... “Qual é o caminho em direção à taça de vinho?”