2010-02-13

Vestida na pele


Leio-te em silêncio. Vestida na tua pele. O meu olhar pára. Teu olhar conjuga, e os olhares param e ficam presos. No mesmo fio as palavras se despem e deitam na areia. E os pés se juntam para caminhar no saboroso revelar. A pulsação do meu coração sobre teus dedos, resultado do quanto me dispo em tuas cordas. E cada verso meu, não meu, contam as missivas escritas quando sonhavas com meus olhos. Que são diversas vezes que abriste a janela para ser mais um dia. E abre ainda no dizer quantas vezes quero deixar fechada. Ler meu íntimo no mais profundo, desconhecido por mim que enuncia o não desejo de cá voltares. Vou te contar, mas é nosso segredo. As minhas madeixas são rebeldes e teimam em dizer adeus. Por favor, não se despeça de mim, pois os meus braços fazem pedidos para não atuar em tecla de partida. Romance, nosso estranho toque. O que será que será ? Do meu olhar pousa tua voz e a minha vida renasce. E cada concha que seguro, teu canto traz a tua mão. Momento que começo desfolhar-te e folhar meus passos. No sabor e deliciosa por ser teu cheiro no globo. Os teus recados escritos e [re] escritos faz o poema em parto de olhos fechados, para tatear a pele dançante em cada recado teu. O desenho do horizonte sobre o mar. E se ouve cores atrás das nuvens nebulosas. A tua voz como tempo que não se sabe dizer. Indizível para o meu tato e lábios. O teu silêncio a mais perfeita forma de música. Escondo-me, me encanto e pernoito as palavras que te irão encontrar. O silêncio falado de sua respiração é a minha obsessão, a minha forma de te escutar. Eu sei que estás aí, que me ouves e me percebes. Sei que sentes os meus silêncios. Eles são os teus também. Levada à redenção pela graça em seus olhos. Um oceano, que me afunda e o céu desce até a terra com um beijo molhado. Sabes, o meu pulsar por ti é amor, pois me comovo vendo-te. Acordo no meio da noite só pra vê-lo dormindo e como sua imagem me doí. Nas tardes cinzentas de inverno bem no meio duma praça meus braços não vão ser suficientes para abraçá-lo e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que vou ficar calada um tempo enorme só te olhando sem dizer nada só olhando, olhando e pensando que encontrei um porto de abrigo, e a importância do silêncio.


Doce olhar, beijo-te
no quanto deitas na minha pele.
Beijo-te, ainda mais te beijo
por alfabeto escrito em olhos.
A cada manhã és o meu mel,
e minhas linhas estão traçadas em ti.


. canteiro pessoal

9 comentários:

Lilian disse...

Ah que lindo jardim.
De encher os olhos e o coração.
Obrigada por partilhá-lo ainda que secreto ;)
Beijos.
Voltarei sempre ^^

Vanessa Souza Moraes disse...

Linhas traçadas em ti. Lindo.

Tatiane Lemos disse...

Seu blog é muito interessante amiga, amei!
Ja estou seguindo, e eu vi sua leitura atual "Clarice Lispctor" é muito bom esse livro eu ja li e me surpreendi!
Beijos!

A Moni. disse...

Intensidade a aguçar os sentidos...
Coisa boa de ler e sentir!

beijos!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Olhares presos enquanto o tempo descansa sobre os ombros de ambos...!

Interessante seu espaço. Retornarei sempre, e desde já meus agradecimentos pela visita ao Rembrandt.

"...Amo a flor, que desabrocha lentamente..." (Hassan Massoudy)

Luana Ferraz disse...

Muito bom o que li por aqui...

Lia disse...

não sei se vc é adepta, mas deixei um selinho pra vc no meu blog!
bjos

Canteiro Pessoal disse...

Lia, obrigada. Adepta sim, pois é uma forma de carinho, e quem sou para recusar, afinal é saboroso receber carinhos-selos.

Paz Ave Rara!

Eliana Lee / Lu Maria disse...

Pri... encantada! Ao lirismo mais profundo: as entrelinhas do silêncio!

Beijos.
LU