2010-03-11

O silêncio, mexer as folhas.


Ah se num banho ocorresse limpa do estado quente e frio !? Da água a problemática esvair como uma seta que indica o trilho da salvação. E qual salvação ? A tempestade que escurece o coração, agitando todo o interior. O escuro parecendo que a linha fica muda quando se chama. Assim, o céu caindo, com uma mente jogando jogos outra vez. E o ser é o ser em si. O dia, e que dia ? É ! A mudança de cores. No tempo presente, fatos que ocasionam uma raiva anormalizada por tanta desorganização. E ligeiramente tonta, gera-se na clientela uma transferência e o resultado sendo catastrófico para ambas as partes. Às vezes, ingênua pensando que expirar com força o ar, tudo se dissolve, mas o olhar no espelho é mais forte. Para onde caminha ? E que lugar está datada ? O sentir-se fechada num quarto vazio, culpa toda de si para si em aceitação. De onde tenta fugir e não consegui ? A chave desse quarto que guarda num lugar alcancável ao inalcançável: o coração. O trajeto, retorno para repouso de um dia elevadíssimo em declínio, nada satisfatório, e gerando gulodice por um refrão grave e letras que nem sequer se canta para dentro em retina como um poema brilhante e adocicado. A chegada, um alívio ? O canto debaixo do chuveiro, e o escorrer da água pela face como as atrizes nos filmes ingleses, sabendo não ser fonte de inspiração. A mente em total erupção e clamante por horas suspensa no ar. No não dizer nada, mas sair tudo. Entende o que não se entende ? Integral, que, sabe nos mistérios do que poderá sonhar a vã filosofia. A história, em questão, não ser dos participantes, os que estão um degrau acima, pois não tocam o instrumento com as notas respeito e lei ambiente. E o amanhã que está tão próximo ? Insignificante ou essencial ? Os dias estão velozes, que o pouco de repouso não supri a carência que alma necessita, e dormir sobre à mesa é cena diária. E os livros ? De lados, e em prantos. Renovo, que sai pelo ralo, e os rios não se encontram em tela, mas numa gaveta cheio de pó. Neste pouco tempo, perpassa no mental o fugir, mas pra onde ? Não há escapatória, seres estão no mesmo barco. Então, coragem ? Havia prenúncio de um parágrafo belo, só que deitando-se, o filho que geraria sofrera um aborto. E o aborto não desejado, mas o sono se fazendo valer e o que se perdera, é fato, não virá mais. Não encontrando outra explicação para anunciar o perdão, numa fita preta na cabeça proclama luto. E escondendo-se por trás de um kit de máscaras. Numa concha, divulgando o nada que és. Mas, guardando tudo dentro, fechada a sete chaves, como se guardam os segredos e os pecados num diário, por permitir a inspiração fazer à mala e ir pro esgoto. Às vezes, queres escrevinhar sobre Paris dos olhos, mas em frações de segundos é tomada de assalto pelas cenas do subúrbio e a escrita se torna um desprezo por uma realidade tão desumana, que sulga no pescoço todo o sangue e se fica à pele e osso, a míngua. E letras não se casam e o que era pensamento regador não bate à porta, tudo desfeito num passe de mágica, como se troca de cenário e figurino, papel. Agora, está no mostrar o umbigo, vergonha de ser a face por trás das máscaras, assumindo o distante de tudo, fechada dentro de um poço. Quietinha. Esperando que ninguém a veja. Só querendo ser transparente quando se encontrar à tecla do que é suspiro em suspirar pelos cantos e cume, e a contar os minutos que faltam pra ver o psicografo inscrutado em letras coloridas.

"Naquela época tinha medo do silêncio e não percebia que não havia mal nenhum em ficar em silêncio a meio de uma conversa, ou mesmo em não haver conversa entre duas pessoas que vão lado a lado. O silêncio é como o mar. Envolve, e pode submergir, se não souber lidar com ele, mas pode também embalar, se perder o medo e deixar ir. Em ambos, mar e silêncio, nada pior do que esbracejar de pânico".

Zink, Rui

. canteiro pessoal

6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Há um grito no silêncio, e nas folhas as letras são mexidas num ser que é ser e nada.

doce anjo disse...

Ola antes mais nada, amei sua visita e me permita se apresentar, sou MARCOS HENRIQUE, São Paulo, Segurança, nas horas vagas adoro, expor meus sentimentos escrevendo esses humildes textos, que por sinal são humildes porem sinceros.

Agora falando sobre seu texto, viagem sem fim aos sonhos e encantos, não perdendo o foco, que é sabermos entender o valor de um silencio...

Bjux volte sempre anjo, seus comentarios e opiniões são muito importante, palpite me ajuda a melhorar ainda mais esse meu cantinho, Bjux Otimo final de semana... Doce Anjo

Juan Moravagine Carneiro disse...

Certos olhares gritam mesmo em silêncio em meio ao mosaico de sentimentos fragemntados.

Nadine Granad disse...

Textos densos!
...Uma delicía de ler!...

Quantas imagens e existecialismo!... Sem perder a poesia nossa de cada dia:

"A chave desse quarto que guarda num lugar alcancável ao inalcançável: o coração(...)"

Gostei muito!... E sua árvore, semeada com mil pensares permite-nos repensar tanto quanto...

Abraços!

T@CITO/XANADU disse...

Sua voz clara fala em poemas
ou mesmo em lágrimas
em tempos de fáceis janeiros
e dias impunes
de tanto já ser tempo
se oculta
em ramagens de palavrase sonhos.

Os minutos até mesmo as horas
jorram tempo
cercam a vida de circunstâncias
e em vão se debate o corpo infeliz.

Os minutos e as horas trazem noites
de sono de silêncio
e as verdades
respiram com dificuldade.

Beijos.
Tácito

PS - Não tenho comentado sempre, mas estou sempre por aqui. No rastro da poesia...

Canteiro Pessoal disse...

Tácito,

como tu, sempre ao teu recanto, apenas atuo silenciar para vinhar no íntimo tudo que colhi em intenso aprendizado, pois teus dedos brilhantes operam inexplicavelmente uma metamorfose.

Abraços querido!