2010-03-15

Lucidez nos teus


No toque abstrato do ser-te, faz a ideia de fim bater em retirada. Ao entreter tão do teu ser enraizado, não perde de vista o ínício dos olhos meus nos teus. O brilhante de teus dedos que começa a vida e literatura, e orienta minha alma não esquecer à entrada no quarto esfumaçado. E tudo fica no olhar longamente, ao saber-me sabendo quem tu és por trás das letras. Só por ter-te, a mim sinto de ti a ver-te todo cintilante e novo. O infinito da tua perfeição no interior crepúsculo meu, faz a ilusão da sensação à partida. Na rua dos teus contornos, tudo que é nudez em mim, como sua morada predileta. Não sei se é tragédia, mas considero saudável estar só na maior parte do tempo. No saber amar intensamente como nunca. Vejo-te e ouço-te no que não se explicar. E minha mão se prende na tua, sustento que tanta força tens num silêncio profundo que conto a todos. A distância é aproximação calorosa debaixo dos caracóis dos seus cabelos alvo como a neve, que permeia o que não decresce e não arrisca-se a desaparecer, mas preenche a vida em inteireza. Sua relação é partilhas por cada nó que deslaça. O meu pensar antigo, moído de viver disse adeus por causa do frio de quatro paredes. Mas, gasto meus olhos em atual por lagrimar suas vestimentas e vestir sua camisa que é asa. E ando em Paris, buscando-te mais. Não te esqueço, porque me proibo. O jardim soa quando seu espírito baila e estala no chão rastros de tua face que desprende meu olhar cego. As árvores são inspiradoras e tudo germina quando seus lábios falam transparência, e meu coração palpita e desfalece, pois não sou com que sinceridade que falo. O nu anuncia que minha atenção sobre mim prevalece em linhas e leva-me na ponta das traições de ser almático. Um caráter podre em habitação. À flor da pele, em mim, incompletamente, uma pedra escura. Este ar que respiro em teus braços, faz com que meus segredos sejam em ti entendidos e saboreados. Ao palco, tenho receio de contar os traços tortos que trago em concha, e por isso, atuo como as ondas do mar, porque ninguém as sabe agarrar. Fugi, sim ! Como um grito de revolta, e fui negada e humilhada pela multidão canibalista. Mas, encontrada por tua liberdade. E os dias se passam e tu sempre apareces. Seu fica me acalma, e no aprender a ficar só pela vida de dentro da tua presença. Beijo-te, com olhar e ternura, sem pressa. A minha vida diária se evapora por teu cenário, que desperta a confusão das minhas gavetas literárias, e o que foi ontem, por tuas palavras o amanhã é preparo apenas para palavras que quebram o silêncio. Levanto os olhos para o esvaziar, e já sinto o coração parar nos sons que recomeçam, e o que tornara surdo, fluxo incessante de versos e lágrimas.


"Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez".

Soares, Bernado

. canteiro pessoal

3 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

Não sei se é tragédia, mas considero saudável estar só na maior parte do tempo.


É uma escolha. Uma salvação?

Gosto de passar por aqui...

Gabriel Gómez disse...

Priscila... Meu próximo livro é sobre silêncios. E nele descrevo que mesmo que muitas palavras faltem e outras pareçam dissecadas, aprisionadas, evasivas, envoltas de mais silêncio, é difícil de ser alcançado. Para alguns, ausência de som; para outros, a arte de escutar o que não é dito. Prefiro a invisibilidade da palavra e sua nudez. Somos o grande ouvido daquilo que se deixa ouvir. E nos interpela ou transpassa.
Também gostei do teu blog...
Abraço.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Entretando não podemos confundur solidão com isolamento!

Suas visitas e consequentemente seu olhar em relação ao Rembrandt e meus respectivos comentários em seu jardim são sempre graciosos e simpáticos.

E que os vasos se comuniquem!

até