2010-04-04

à busca


Pés descalços cheios de percalços nas águas profundas. Na repetição da acolhida ao pé certo que abraça bem. Pra se encontrar o entendimento de que não precisa sempre pisar só, tropeçar ou cair, pois há o canto estrondoso que faz além do que se imagina, vestindo a camisa da companhia. O ano para admitir que falecer de si faz a caminhada chegar na resolutiva que entrará à porta do casado tão longe perto, um delicioso chocolate e o fim do dar e vender amargo. Um coração que mesmo batendo lentamente, proclamando sem parada o alcançar da procura antes e atual desadormecida por um adormecer que faz o envelher usurpar a cena tão desejosa. Assim, abdicando-se dos passos horrendos de desânimo e sombrio, mas no adiante capazes de lançar nas ruas, sem olhar a distância, sem pensar nos obstáculos e nos riscos. O traçar de rota definitiva inexplicativo, ao som que inspira e resgata à memória das promessas. E os gritos tão reais no campo surreal, chovendo gotículas de bálsamo e trovejando gritos de aleluias na sinhá moça. Como se perder do onde ir ? O vento não engana, apenas esmiuça um mapa que levará as linhas do início nunca ser perdido. Todos chamando de secreto, pensando que conhecem, mas todos mais ou menos vivendo sem saber, e ocupando o lugar cada vez maior no natural em boa parte de suas vidas. Mas, a flor do chamante, não murcha. E sugerindo o fruto da maturidade no poder que começa no recomeço. No [re] lembrar e [re] pensar em permanecer no que não se tateia, mas colhido dum curvar intenso ao que dentro fala sussurros em cordas bambas.


[...]
fecho o livro que leio enquanto digo...
chove ?


Kieffer, Eduardo Gudinõ


. canteiro pessoal

8 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Silêncio, um toque na estrela da manhã. É anuncio de que o último selo está veloz para ser aberto ao toque da trombeta.

V_ Leal disse...

é gostoso vir aqui e te ler. Kieffer é maravilhoso.

Canteiro Pessoal disse...

Leal, digo: que é saboroso ter-te ao jardim no polvilhar minhas pétalas. Realmente, Kieffer é maravilhoso, na explosão: uma delícia!

paz!

Juan Moravagine Carneiro disse...

À busca...

Gosto quando Krishnamurti diz " Pois, definida uma coisa, ela está morta", ou seja à busca se faz necessário em nossas vidas para percebermos que para sermos realmente livres precisamos perceber que não precisamos de "nada"...A eterna busca para dentro de nós mesmo é que nos faz perceber o quanto é complexo um simples olhar.

Suas visitas e consequentemente seus comentários no Rembrandt são sempre fonte de contemplação.

até

Kanauã Kaluanã disse...

Sempre que aqui venho, embrenho-me nos textos, perco o rumo; e é sempre bom esse se perder por entre nuances das tuas narrativas, ricas em detalhes e simbolismos, porque, como maravilhosamente dizes, "começa-se no recomeço".
Particularmente, esta frase me prendeu:
"Como se perder do onde ir?"

Linda construção.


Beijos.

Thiago Ya'agob disse...

Clarice palpita dizendo que: Perder-se também... também é caminho!

Uma ótima semana pra ti, Priscila.
Foi bom ter falado contigo.

Paz.

Pri C. Figueira disse...

Olá!

Sempre estamos a procura de algo, sempre trilhamos um caminho para se chegar a um fim...
Entretanto muitas vezes nos perdemos em meio a tantas coisas, tantos sentidos, tantas direções!
O importante estarmos focados!

Um grande abraço, é sempre bom passar por aqui!
Bjs ;)

O Espelho de Eva disse...

É engraçado como hoje, tudo aqui é água... um aguaceiro que cai do céu, numa constância de fim de mundo, que lava a rua, lava os carros, lava a alma, e aqui perto vejo as águas que caem do céu, formarem corredeiras nos passeios, e água procura a água, vai pra água, ligeira, forte, sem que paus, pedras ou carros a impeçam. Atravessam a rua.... desembocam do outro lado numa queda maravilhosa e água de chuva, vira água de mar, que também já foi água de chuva...E não mais que de repente, com ciúmes,talvez, do mar, ou da rua que foi molhada, ou da minha alma que foi lavada, ou das folhas das plantas que dançaram com a chuva, vem o sol, com uma fúria quente, um desassossego que chupa a água, seca a água... e agora nada mais é chuva, a água é apenas mar, separada pelo asfalto, de tupo por onde, outrora chuva, já passou.

Beijos, Ave Rara.