2010-04-18

Cheiro e Ar


Escrever para aprender. E o sol secar cabelos e lágrimas. O sorriso enfim reencontrar desabrochando a vida como uma flor. Que no fundo, só quer ser. Tão leve e tão segregada no conduzida em toques. Em cores no entender a escuta das folhas do arvoredo. A falta de definição resgatando das regras à fragrância da vida. A salvação de si na retina do leitor. Na página do poeta trazendo vivacidade com o sopro para salvar da realidade. Não conseguindo mais imaginar uma existência sem a arte de escrever ou de pintar ou de fazer música. O livro se construindo a cada anotação do autor no diário. O vocábulo que é sopro e o sopro é a vida no caderno que faz escrita junto à fonte. Assim, grafando a lápis as palavras para deter a atenção que vale a pena. A casa da água existindo onde gardênia some e torna a vir à tona por meio das palavras o soberano. Nos dias à noite, na velada do chá, uma neblina sem corpo que escuta. A voz pairando junto às estrelas da vila, vazando a poesia. Respiração andando da varanda ao quarto, do quarto à sala de música sem intervalo de ponteiros. O sono esquecido para que o invisível capture no espelho a sensível madrugada. E no acordar o respirar do desfile valsal entre águas e conchas. Inquieta no braço quieto, analisando instante por instante. Na biblioteca se entregar àquilo que não se compreende, sem receio de romper com tudo o que aprendera. Mas, inaugurando-se numa nova vida. Com vastas perguntas, mas nunca encontrando a resposta em si. Nos livros para serem lidos com os olhos fechados, espraiando-se ao vento. Assim, com o calor derretendo o gelo mais espesso, somente o amor penetrando o coração mais duro.

. canteiro pessoal

4 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Colhido o recadinho de Ítalo ao Jardim Secreto, além!

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lindissíssimo!

sobre isto aqui "O livro se construindo a cada anotação do autor no diário", tem textinho lá no blog, essa relação do leitor com o livro.

teu escrito é isto. um rabisco sobre o livro. maravilhoso.

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Obrigada pelas palavras sempre aquecidas ao meu solo, muitas vezes, seco.

Abraços e paz!

V_ Leal disse...

às vezes é preciso im-pacto, acordar quem só quer dormir.
E desaprender para apreender, por aí...

abraço.

Canteiro Pessoal disse...

Leal. Concordo plenamente contigo. O ser racional passar por uma 'desintoxicação' mental de certos conceitos, para assim, habitar na essência.

Abraços!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Na maioria das vezes a razão usa cabrestos...logo se faz necessário escrever para não enlouquecer, escrever para não ficar preso dentro da prisão representada pelo tempo cartesiano!