2010-04-24

Diálogo


A continuação do coser de dentro. Emaús ? O anúncio da volta à entrada no lugar perfumado, fazendo com que saída de casa se cavalgue sentindo o inverno. Pois, assolava nas peles as manhãs frias, sem sol, em que as árvores pareciam mãos enormes buscando a primavera num céu sem cor. O pardal nasceria no dia dos pregões e no caminho que se dava passo não para trevas, porque voz fora, mas para a luz, mostrando que ainda havia fé, não negando seus milagres e sua presença de Rei que morto como previsto sem reais explicações. Ele se foi e a tristeza bate nos peitos. Bate sim, pois olhos abertos, já não com vida no consumado o que enfim se propôs. Por que o que deveria ser coroado foi com espinhos ? Tudo planejado ? Machucou-se. As esquinas cuspiam. E ali no chão bolinhas castanhas que já não chamavam o passarito, e o sinal à porta nos observadores impediam de voar. Voar pra onde ? Humilhou-se e falou coisas que, às vezes, não convinha ouvir, assustava. Tudo feito da forma correta ? Ao redor, a tristeza mais batia porque não cumpriu o tipo de reinado dos corações que não ardiam. E em atitudes mostrava que não tinha medo da solidão, já enfrentara antes para se cumprir o propósito maior. Ele que viu poder e tristeza em total intensidade, essa que imaginamos um dia não aguentar. Convidado, assim ficou, dividiu e se foi. Se foi ? Planejaremos quando o retorno ? O fevereiro resposta do sim, pois a chuva cai nos lábios. O pouco já não contenta, dispensando pedaços. Nada de deixar partes pelo caminho. Mas, surpreender ao ver, sentir e tatear o poder degustativo das palavras. Assustar os assustados, a própria alma ao sentir o grande efeito que provocam. E mesmo no amar os pés, mesmo que partidos ao meio, na destruição dramática, faz-se inspirar para conseguir manter suas convicções no que não se explica, já dito no sem reais explicações. Apenas viver o lugar e o tempo do vinho molhando os lábios, muitas vezes, secos. Toda a minuciosa da anatomia de quem quer andar como quem canta. Encontrar os lírios nas sequelas dos músculos. Dar corda. Pondo a [re] pensar sobre o caminho.

Canteiro Pessoal e Paula Neves

2 comentários:

V_ Leal disse...

Surpresas ao invés dos planinhos de bolso. Des-planejando para quem sabe, haver o encontro.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Perceber o mundo, a realidade, os espaços...como Zonas Autônomas...banhada de brechas geográficas e subjetivas...

...Vários caminhos presentes dentro de uma mesma estrada...encontros até mesmo nos desencontros...!

Abraço