2010-04-03

Falar tênue


Disse-te que dançaria em perfume gardenial sempre por vida íntima, mas em visita aos meus tons, a fragrância se deparava à morte. É descoberta uma mentira no espetáculo, e isso, muito me dói. O vivido na vida normal do mundo entrou na cena importante, o dois em um. Porém, o que me instiga e intriga, é que o passado em presente, tudo que entrara de novo na rotina como se nem tivesses existido. Uma miragem ! Quando assumida a vestimenta de vida em si, desfaleci-me no conhecido e a mediocridade reinando em sinfonia catastrófica. Se lhe trouxer o sacrifício que não possui mancha, o aroma que completa exalará em minha epiderme ? Do meu ninho, por entre as minhas folhagens, repenso que não partituro sem este aroma. Pranteio. E sei lá no profundo, mesmo que seu silêncio seja gritante, os teus pares de olhos belos ficam marejados ao me perceber e na saudade que atuas. Leio o que escrevem homens mais sabidos e os segredos da filosofia, só o que ainda se não te tenho [!?] Tudo noite após noite canta que nada disto tem já significado. O ser-me em essência sem existência dos olhares racionais, e sim morrer tudo com a tua morte vival, para que o globo fique perfeitamente descompassado ao teu compasso. Às estrelas, encontrar-te e reparar no que sucede por sua tinta derramada em minhas madeixas escuras como a flor do jacinto. Uma personagem aos teus lábios, nos quais rubros como a rosa dos desejos inexplicáveis. E o meu amor estar presente entre o inenarrável. Assim, o líquido escorrer suave, num pôr-do-sol alagante. As madrugadas maduras e perfumadas, com os pássaros cantarolando sem cessar. O instrumento em minhas cordas e enamorar-te com tal leveza, que nem meus pés toquem o chão, pois as mãos entrelaçadas e entretecidas de silêncio valsam em chuva ao som da sua harpa e violino, só por ouvir o que ama a alma.


[...]
prende até a última frase.

Luft, Lya


. canteiro pessoal

3 comentários:

V_ Leal disse...

Eu tenho alguma "dificuldade" para com a Luft. Todavia, é bom que os desejos continuem inexplicáveis, caso contrário vira palestra sobre. rs

Juan Moravagine Carneiro disse...

Acredito que tudo que é aceito perde sua essência, passa a ser adorno diante de uma realidade falsa baseada em verdades absolutas...Na maioria das vezes como você coloca "Leio o que escrevem homens mais sabidos e os segredos da filosofia, só o que ainda se não te tenho"...certo homens ficam cegos diante de um conhecimento falta e castrador...Por isso acredito que a vida deve ser sempre vista do ponto de vista do caos e nunca da ordem seja para o bem ou para o mal...apesar que todo dualismo é limitado.

abraço

Canteiro Pessoal disse...

Leal, já tenho como perfil, afeição, critério usado em existência e coexistência, mas claro que, em respeito e tempo do meu semelhante e escutatória, só que aquilo causando dificuldade, afinal, o que me causa barreiras é o que me lixa, garimpa de forma inimaginável; forja por dentro e não para fora. E concordo quando declara que 'os desejos continuem inexplicáveis', pois se tornarem palestra [s], será perdido a essência de um todo sabor que a própria vida se encarrega 'aos pensamentos que não chegarão ao homem', na sempre descoberta da redescorberta e vice-versa.

Abraços e agradecida pela visita. Passarei em teu cantinho ainda em qualidade e enamoramento intenso.

paz!