2010-04-25

Estreia


Sempre o perder e o encontrar por parte do vento em cenas de um filme colorido. O ler encontral como quem adia o fim de um livro. A leveza na palma das mãos que guarda calor da data e local, num ativar na memória o arrepio delicioso do afeto e as frases onde encontra e deixa comovida. Lugares atuando o despertar do particular e o deliciar do artista pela demora nas entrelinhas, rapidamente o acenar do sorriso entreaberto nos lábios. O ser encontrada denotando letras tatuadas no livro da memória ao recanto especial; tal sentido nas curvas de um parágrafo como sabor vindouro dos próximos capítulos. Espiar tão operante que procria cartas, bilhetes e fotos; sorrisos e braços no cruzamento da história que se encontra. Sublinhar de palavras que apontam o caminho por dentro do ser íntimo. Dobrar páginas para não esquecer o ler andado, no intuito ao grafite pelos próprios dedos. Suave encontro [ar] que decodifica predicados podres na alma e coração substantivo, mas ao ler pretérito atuar demorado e perfeito. Tal caminhar desenhando um esboço que não apaga do eu-sou, sou-eu o que não consegue esquecer. Visão inerte viajando por um lugar inexplicável que toca a face e paralisa agradavelmente o eu tanto confuso, assim evitando a última palavra, a derradeira página com jeito bailante de ponto final. Multiplicando pretextos para que os caracteres não se esgotem, pois as formalidades vão de tudo, segundo a segundo, como uma grande estreia.


Na pele do silêncio,
poroso e denso,
tenho fora as mãos:
gestos, contornos descidos,
mãos nos corredores da tarde,
interpelando lembranças.


. canteiro pessoal

6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Colhido, e com honra 'dobrada' registro.

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Meu Deus...cada vez que vc me escreve eu me arrepio com suas palavras. As perfeições e encaixes das frases no texto, trazem paz. Me alegro em saber que vc se alegra em escrever palavras tão doces e maravilhosas.

Bjus Priscila!

Ricardo Venera

Edu O. disse...

Olá, como vc chegou ao meu blog? Adorei o que vc escreveu sobre o título. fique a vontade, visite sempre.

Canteiro Pessoal disse...

Edu,

pelo espaço da Gerana, que a encontrei por um outro espaço que frequento assiduamente, nisto, o que ela escreveu causou curiosidade e nos comentários, deparei com outro comentarei [teu] e aguçou desejo de visita, e confesso, tornarás minha parada obrigatória, afinal de contas, não é sempre que esbarramos com blog's de qualidade letrativo.

Abraços, e contente por encontrar seu recanto.

Jefferson Bessa disse...

A descida sobre os sentidos nos abre a uma estreia: a descida que desperta...
Um abraço.
Jefferson

Canteiro Pessoal disse...

Jefferson, exatamente, a descida que desperta. Sou remetida: - Desperta tu que dormes! e...

"Se no dia te retratas,
a noite outro compõe;
quando ao dia te despes,
a noite te leva a pele;
e se no dia escureces,
orvalhas luzes na noite".

paz!

Jorge Pimenta disse...

Porque a pele nos reveste por dentro e por fora, mesmo quando o silêncio é o único gesto que nos traz de volta a memória...
Beijinho, Priscila!