2010-04-11

não tem fim


Pra que falar se a chuva fala ? A caminho da cama, deitando-se cedo chovia. Pois, quanto mais próxima a língua da origem da chuva, menos fel e gramática. O som que maravilha o estar afinados. No momento missicas redigidas com tinta lagrimal as horas lindas. O tudo que vale a pena quando à espera está no inteiro. Multiplicando tempo exato do sempre junto, os pensamentos no ti do casado. Viver unisso possível, inteiramente do contigo uno e elevado ao quadrado. A história abrindo a janela, pois sendo céu e mar. Andando nas estrelas que não findam a conjugação. Longe o voar e o bater de asas no atuar habitat do ninho. Abraço do aqui e agora infinito, tempo contado que passa à velocidade da luz. Enrolando no conforto aquecer e enviar a decisão do sim. O vazio e ao mesmo tempo o cheio da alma no envolto concerto. Por polvilhar a marca dos braços no abraçado, na ponta dos dedos. O abrir dos olhos para o tocável do ir e ficar, mas indizível para o alfabeto. Existente dentro e fora do pensamento. Espaço particular e peculiar imenso de mãos profundas sem fundo. Sol brilhante no escuro. A paisagem refletindo cores vivas no sorriso dos olhos. O cedo do bom clarear para que chegue mais depressa, embrulhando sonhos felizes antes mesmo do adormecer. O quieto ouvir, mas grafite sempre no amplexo infinito que guardas a noite inteira. Pétalas saindo de olhos no sonho por dias genuínos. O toque leve, muito leve de mãos que acariciam o rosto e retribui em prontidão, sem nada pedir em troca, o carinho do estar de sempre. Acordado que senta de olhos fixos, presença constante e multiplica o pleno em que tudo acontece para além do imaginável. O perfume no invadir o ar que respira e deita sobre a brisa na observação; palavras sobre forma de mil textos por descobrir-te e instiga o resenhar. Luz que rasga as trevas como rio em primavera. Inspiração que não cansa de clamar o inalar do amor. E o maio existindo para além das palavras que asseguram uma definição precisa. O doce mel à entrada da colmeia, que procura e descobri a face. A fresca romã nos lábios, dos passos sobre a cortina do silêncio. Perfume solar, cidade rompendo na seiva das mãos. Nada será dos que morrem no exílio do sonho entre arestas de vidro. O perfil do canto silenciar, ao cume da montanha não existindo por si mesmo; se está lá por causa das encostas, da base, da montanha inteira. A montanha não podendo estar lá por si mesma, só está lá devido a toda paisagem.


Quem se reconhece libido nua, na presença do piano, está a ser levantado pelo texto, e as consequências da música são imprevisíveis, e não têm fim.


Llansol, Maria Gabriela


. canteiro pessoal

3 comentários:

O Espelho de Eva disse...

Eu, agora mesmo, ouço a chuva que cai lá fora, e fico na cama deitada com a preguiça, aconchegada em concha, no calor e na delícia que provoca entre lençois.

Beijos,

Lindo feito barulhinho de chuva no telhado.

Nadine Granad disse...

"Por polvilhar a marca dos braços no abraçado, na ponta dos dedos" - Pleonasmo lindo!...

Barulho de chuva, carinho sem que se peça, luz a invadir a vida que se protege na penumbra!... Sentidos que se conversam e deixam mais um texto belo!!!

Sementinhas de abraços!

Juan Moravagine Carneiro disse...

"...A beleza é uma coisa terrível e espantosa. terrível, porque indefinível. Os extremos se tocam, as contradições vivem juntas. Quantos mistérios acabrunham o homem!..."

(Dostoiévski, Os irmãos Karamázovi)