2010-04-09

Escrito do código



Nas asas voar para longe dos abutres e ladrões à volta. Poetisa ? Não ! Brinca às escondidas na voz que escrevinha de forma surpreendente e bela. Já falado nos escritos, que de fato passou despercebida o chamado toque à porta. Assim, no compromisso intenso do nulo habitat da maquiagem. Mas, ajoelhar-se de que ler no natural partitura indefinível é tolice. Na mais tenra idade que ensina o que não sabe ensinar a grafia assim: por trás dos olhos. As letras do perfumado e o odor são gardênias por uma literatura embrenhada no jardim. Portanto, osculando os lábios adocicados como uma ave rara em voo voraz. Na pena que não aceita o desembarque, apenas o embarcar no cofre selado do terno coração. Nota-se que há uma mente à busca do evoluído devido uma oferta quando ainda não era existência. Escrita derramando lágrimas como belo véu de uma cachoeira, pois dentro há uma carta interminável num percurso que anuncia noivado. A alma deixando de lado as bonecas por saltos pela literatura que escorre convite na face suave. O que coloca a pena e o tinteiro em mãos. E tão cedo no esmaecer da vida a intimidade. Tantos amplexos acariciando navegar no lindo mar o versejar dos princípios da poesia. A poesia alegremente bailando numa bela manhã de outono. Os dias que enfim se deixa marejar num lençol bordado a nado profundo. Há um código nos escritos do trovão que fascina. O que faz esmorecer com o perfume exalando pelo espaço. Silêncio que é respeito no ouvir o som das águas. Os pés descalços na areia pela personagem em fases envelhecida, afinal o escritor especialista em saltar amarras e indo até o fundo do poço no resgate. Não e sim existindo em tato por algo de novo para além do insólito prefácio. É linguagem com tom desnudo, pois há colado e paladar pela minúcia. Fato, que, aonde quer que vá descobre que o poeta esteve lá antes. O calor fervente dos abraços nas pétalas que caem uma a uma no sarar os olhos ardidos e turvos. E no ventre num balanço ultrapassando as fronteiras dos braços. Amar só em palavras não só a competência, mas no rubro sangue por rasgar a escuridão. O olfato dando voz no racional que ouve embriagar num gozo ao seco da vida. E esboça tatuagem na pele da esperança. Faz suspiro por suspirar, aspirar e transpirar na chuva fina que cai no solo adormecido. Num timbre firme não ferindo os tímpanos. A extremidade do membro inferior flutuando levemente em rendição. Nisto, ser se curvando ao brilho fecundo que enreda e desenreda ao cheiro. No cume do monte o cabelo branco como a neve, respirando atrair. Detalhes nos olhos chamando e embebeda no fazer desviar da razão. E o perder é ganho no voar. Na estação invernal os dedos do vento que desfolha, tudo ação e reação no calar. A voz ficando em palco reconhecido do intraduzível florir. Um romper fazendo o melhor na bela libertação do sombrio e gelado das paredes. Paz à noite, segunda chance na veia infinita do conforto.


Vai se entregar pra mim
Como a primeira vez
Vai delirar de amor
Sentir o meu calor
Vai me pertencer
Sou pássaro de fogo
Que canta ao teu ouvido
Vou ganhar esse jogo,
te amando feito um louco
Quero teu amor...
Não diga que não
[...]
Diz pra mim...
Tão longe do chão
Serei os seus pés
Nas asas do sonho rumo ao teu coração
Permita sentir
Se entrega pra mim...


Fernandes, Paula


. canteiro pessoal

2 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

"...O amor é um gelo em brasa..."

(M. D. Magno, 1978)

Canteiro Pessoal disse...

Juan,

No mais mineral das prosas altas,
onde a viola de chuva se esconde,
lá onde as piscinas ondulam tempestuosas,
quando o escarcéu das águas se avulta,
lá a voz selvagem e as iguanas sedentas,
lá, na voz, se aclara a palavra nunca vista
e a obsedante garoa rega a pedra da elegia.
No alto-mar de transparente massa cristalina,
quanto mais ao alto-mar de silêncio perto,
mais a voz vai aclarando,
se antiga é a alma que se vislumbra,
assim das profundas mostra claro e radiante
o mineral das prosas altas
que serena o que, nas sedentas, há de árido.

Karl, Fernando José

Vaso, fica na paz!