2010-04-01

Voltar pra Ti


No madrugar aos teus pés, alcança-se o quando começas a te revelar ? Perco as vezes o olhar. A chamá-lo de volta, porque tudo está no princípio e no suportar o tempo comprido. Mesmo com meus pés cansados, sinto o cheiro do que ainda existe, com sabor inacabado, afinal o brilho intenso dos olhos está em sua pele e lábios. As paredes, a tua pele exprimindo a ausência de meu toque. É grito, dentro de ti em mim: as portas, e pouco a pouco derrubar todas as muralhas e arrancar o telhado, para que cresças livremente em veia. Os dias escorregam pelas minhas mãos, o relógio não pára, os ponteiros não controlo, mas o pensamento ainda persiste ao ponto central: tu. Será que o nosso tempo se foi ? O de dentro anuncia estagnação no passado, mas os mesmos na areia voltam pra ti em presente. De um jeito completamente insuspeito, pois a tua fêmea, uma semente, que tu plantaste a pele adocicada no contemplar de uma linda gardênia, fazendo-te abrir todas as janelas para à entrada em habitação e conquista. Sou o exalar de teu alisar intenso em cada pétala e o fechar das janelas, pois o frio e o cheiro do externo me perturba, tira do norte dos teus olhos, tudo pelo fato de não atuar o agasalho. As tuas tantas frases soltas, sempre me acompanham, esperando em gemido, para que me construa num escrito tão único. Anunciando pomba minha, mas não percebido por mim proveniente à cegueira, que todo deserto é temporário. Por que o meu andar em círculo ? Pois, a voz está nos seus lábios, os teus cabelos o edredom e sorriso do toque quando toca o que ninguém toca, mas que permito deixar perdido por olhar o que não era para ser olhado, os dizeres de outros que não se destacam em incomum. Suspirar ? Também, choro sem interrupção, um fluxo incessante de palavras e lágrimas. No pedido da vinda, e que se dê a liberdade num só olhar que purifica e acaba. Há muitas coisas que não se quer ver. Compreensível ? Muito e nada, como a fagulha que escapa, por ser morna e insossa. Beijando a tua boca, como se nada fosse. A questão do povoá-lo após uma partida feita por impulso, mas acostumada à extensão das raízes, portanto, sobrevive no vaso dos teus pés que comunicam meu nome selado. Assim, no por vir que inunda tudo e a primavera que se faz feroz precipitada, porque à entrada confere no significado às palavras que em desenhos quebram o silêncio nos teus lábios aos meus.


Fiz mais do que posso
Fiz mais do que agüento
E a areia dos meus olhos é a mesma
Que acolheu minhas pegadas
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você
Eu lutei contra tudo
Eu fugi o que era seguro
Descobri que é possível viver só
Mas num mundo sem verdade
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você
Sem medo de te pertencer
Voltam pra você
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você
Meus pés cansados de lutar
Meus pés cansados de fugir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você.


Pés Cansados-Sandy Leah


. canteiro pessoal

7 comentários:

O Espelho de Eva disse...

Certamente que amar o outro é caminha em areia fofa, agradável, mas cansativa. Mas se o sol é ameno, e a brisa suave, caminhamos por longo tempo E se a lua chegar, e se for cheia, a paixão nos levará ainda mais além.

Beijos.

Canteiro Pessoal disse...

Silencio-me diante do que saiu, que é tão verdade, doe-me, mas é prenúncio de liberdade, pois grito a volta. Volta no que perdi, e que me aquecia em inteireza. Portanto, a morada no sonho de novo. Acreditar no girar de dentro. Como sou agradecida, pois vomito devido um escrito lido hoje, num espaço que falou por demais ao meu íntimo. Durmo com a letra e no afago:

Fiz mais do que posso
Fiz mais do que agüento
E a areia dos meus olhos é a mesma
Que acolheu minhas pegadas
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você
Eu lutei contra tudo
Eu fugi o que era seguro
Descobri que é possível viver só
Mas num mundo sem verdade
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você
Sem medo de te pertencer
Voltam pra você
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você
Meus pés cansados de lutar
Meus pés cansados de fugir
Os mesmos pés cansados voltam pra você
Pra você.

Pés Cansados-Sandy Leah

V_ Leal disse...

"...que todo deserto é temporário." E volte e meia chega o tempo em que flores brotam, nem que seja do cimento duro da vida.

Casa boa
essa tua!

Juan Moravagine Carneiro disse...

A tetralogia (Mar da fertilidade)de Mishima é para mim uma das poucas maneiras que existem de se explicar as questões que levanta...

Seus comentários sempre me fazem repensar inúmeras coisas...

abraço

Nadine Granad disse...

Como sempre suspeitei... És de uma sensibilidade ímpar!...

Parafraseando: és um coração batendo no mundo!...
E de amor sincero, puro e que deixa um liquidificador no peito, calo-me por aqui!...
Li(n)do!...

Abraços!

Canteiro Pessoal disse...

Nadine, não sei se sou este ser de sensibilidade ímpar, pois sou rude, egoísta e de olhar perverso datada em 24 horas. Meu coração bate como de qualquer racional [alguns feixes irracional] neste mundo em que fomos introduzidos, por uma escolha feita, à espera sempre do encontro do celeste por remissão do quão podres que somos em existência. Calo-me diante do que falas, pois enxergas diamantes, onde não há, pois tão amadora sou neste campo literário e que o que faço é vomitar palavras, em que as diversas leituras de livros, artigos e retinas que faço no decorrer, e confesso: cuspo nelas diversas horas, desprezo. E preciso, curva-me em perdão, arrependimento.

Obrigada pelas gentis palavras e as oferto ao teu solo, assim como fizeste ao meu com ato nobre e peculiar.

paz!

Nadine Granad disse...

... Perco-me nas suas linhas e acredito sim-sim na sensibilidade!... Não tenho olhos potentes, mas deixo-me ser guiada por sentires!...E brilhos que independem de vontades!...
Continue então com o amadorismo,rs...
AMAdorismo ;)

Abraços perfumados... tal como seu jardim! =)