2010-05-20

adiante


O ar da casa no ontem do hoje futuro, puro resultado de um simples sim. Fruto ardente de horas numa montagem desaguada na entrega. Se há coragem, o continuar não se perde. E o núcleo tece infindáveis possibilidades no toc-toc. O que se fecha no fechado não fechando o aberto. A dor doce, afogando no breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, morte instantânea e bela. Na saída de romances pré-mastigados, o ritual inerte, mas chegada de intencionalidade. A pena no sabor da fruta madura, e treme as mãos como a lua na água. Tudo navegando no mar do olhar, que decompõe construindo o saber que não há nada. As técnicas descritivas, uma tal organização inútil, com simples argumentos de cinema sem vingar, mas na essência. O tocar a borda da boca com um dedo, desenhando como se saísse da mão, a boca entreabrindo pela primeira vez. E bastar fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo. O resgate das imagens sem matemáticos, como se antes não tivesse sabido do sabido. Pois, rebaixa-se, prostrando ao nome que abre o selo, confessando que uma vida de morte se há de viver em escuta. Nada mais, de manhã levantar, ler-se: - Como se explica que o maior receio seja em relação do ser ? E exortando a não parar, apagar os tons de desalento no alento que se formam nos lábios.


respirar o ar do ninho
em jardim secreto
desfrutar da fragrância
e encher os pulmões
estar e respirar no tocar


. canteiro pessoal

4 comentários:

Sr do Vale disse...

seu texto é rápido, forte, e confunde minha mente, como uma pintura surreal, recuperando imagens gravadas em minha memória, como lua tremula em poça dágua.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Só posso fazer minhas às palavras do Sr. do Vale...


abraço

Canteiro Pessoal disse...

Vale. Rápido, pulsação acelerada rendida. A dor perfeita num coração imperfeito, e que chora, beija, ajoelha tudo pra que outros possam viver o alargamento de uma única nota que compõe o improvável. Frenética no ontem- morte, hoje - morrer e futuro o firmamento de uma linguagem em sentido de olhos. Fascina-te? Ah, sim, pois diz: "recuperando imagens gravadas em minha memória". A mim, enlouquece no mais e treme a base, onde opto banhar em sangue durante horas. Engravidar na escrita de sonhos grandes e extravagante: surreal à existência, do lógico pincelar o ilógico-lógico, de que mesmo sem sentir há. Silencio-me, e não pertencer mais a um sistema, mas correr veloz como uma gazela ao cume do ir e ficar vivendo o que for sendo pintura, pois quando um ser não é mais o próprio núcleo, e sim o comunga, adentrar no território desconhecido. Forte, o toque nos lábios que se rende, e está contente, afinal, renasce depois de muitas dores partos e se segura o filho amado.

Abraços vaso!

Canteiro Pessoal disse...

Rafael Carneiro, o que suas letras me causam, ultrapassa qualquer letrativo, pois adorna-me em linguagem de olhos, na caça incessante por querer o aprofundamento. Uma tela viva e intensa exprimir em conjugação de renascimento.

Obrigada por seus pousos e oferto as palavras-resposta ao Sr. do Vale à teu território, já que fizeste suas palavras também em brilhantismo.

Abraços vaso!