2010-05-22

Até a boca!


Num suspiro de satisfação em instantes cada vez mais completos de garimpação. O calor dos lençóis forte, mas o vento batendo nas cortinas, lembrando sempre o corte na alma. Claro que, podia-se parar e enxugar as gotas olhando o calmo horizonte. No partido, a razão na ação perpetuando no sentido do que a corrente da vida faz e refaz em enunciamento de cobrança. A luz ? Enquanto batia à máquina, costumando a ler à luz de velas o que se chama de vida interior. O plantar das sementes em mãos feridas, mas corajosas. A respiração ofegante, o preciso artisticamente no sentido de tornar os dias realizados e belos. Com o tempo saboreando o decorativo que se desenvolve e suplanta a íntima desordem na ordem, feita pelas mãos do artista supremo arquiteto. O sol alto por distrubuição de suas funções, a um coração datando horas de aperto e espanto. Momento em que a ternura escoa, e o amargo, gélido como um sino soando descompassado. Em casa, no repouso da noite, refletindo na parte entranhada, fazendo-se obscura. Raízes negras, nada suaves ofertadas pelo mundo. Mas, à revelia do sistema, buscando-se o jardinal, substantivo em ação, por alimentos anônimos à vida por trás do pensamento. Noites livres para amar ? Não, afinal quisera e escolhera em outrora o vacilar dos trilhos, nas ruas largas. Mas, o longo vento que sopra, anunciando que o fim de uma tarde, respira-se profundamente num ar de mãos dadas. O chamamento, mesmo aprumando mental à desconfiança no ventar, numa inquietude, intranquilidade sucedendo como um coração hostil e espaçado. O olhando-se cega, como se olha o que não nos , a gama intimal na escuridão. Ser-se em véu na expressão de face desejante, e não mais atuante no largamento, por receio de incompatibilidade. O ressurgimento em batidas com certa dificuldade devido coração empedrado. O que se chama de crise, marca desmarcando o prazer intenso ? A pergunta dificílima, fazendo desviar o olhar depressa, e em cenas apaziguando tão bem a vida íntima. No cuidar para que não se exploda a alma que bate ao peito.


. canteiro pessoal

5 comentários:

Sr do Vale disse...

Não quero ficar no imaginário de dias plenos, quero a tentativa por mais ignóbil que seja.

Canteiro Pessoal disse...

Vale. Arrisca-se nos labirintos retorcidos da mente, para que o imaginário seja palpável, onde o toque torpe [desprezível] um convertimento na visão de beleza que muitas vezes não é contemplada. Portanto, sobre à morte já vencer em grito: - Sai para fora no dentro! Dentro da captura. Adentrar em lacunas, e as proezas consumarem os detalhes incalculáveis.

Canto na oferta feita à minha pele...

ensinamento de uma canção que toque a alma. Não esquecer os mínimos detalhes que movimenta o coração. E se diz: - Deixa-me girar no teu coração, e tu no meu[!?]

Gilson disse...

Caramba, fico longe por um tempo e quando volto aqui encontro essa obra prima. Você nos deixa perplexos tamanha facilidade que você tem em brincar com as palavras de uma forma inteligente e culta.

Bravo!!!!!!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Uma idéia do que poderia ser não pode ser o cerne de nossa existência...

belo escrito

abraço

Lara Amaral disse...

Gostei do texto, dos versos intensos que transpiram.

Vim agradecer-lhe o gentil comentário no Maria Clara, blog coletivo que participo. Tbm tenho o meu blog pessoal, será um prazer recebê-la lá: http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com

Vi vc tbm no blog do Sr. do Vale, onde tbm gosto de dar meus pitacos poéticos nas belíssimas pinturas.

Parabéns pelos textos.

Beijos! =)