2010-05-16

Estúpida insistência


Ainda quero mostrar a fotografia do viés de antes: imagens ocas e em preto e branco. Gesso espesso moldando tudo em mim. Mosaicos em forma de asas, pássaros, anjos. Uma espécie de jardim secreto. Não sei como interpretar estes mapas, por quais descaminhos me perder. E nem sei bem a hora de partida, de simplesmente deixar ir. Mas narro esse estreito laço que une cores com novos tons. Vou continuar desenhando dentro de mim, vou variar as formas, as asperezas. Vou varar noites procurando. E flutuar nos dias de mares amarelos, de marés constantes, de cheias e memórias que revelam céus e ocasos de lápis de cor.


Martini, Luciano

3 comentários:

Ela disse...

Belíssimos textos! Será que haverá um encontro? Continue a desbravar...

Juan Moravagine Carneiro disse...

É sempre agradável suas visitas ao Rembrandt Priscila...

obrancoderembrandt@hotmail.com

abraço

Canteiro Pessoal disse...

Quando nada parece dar certo, vou ver o cortador de pedras a martelar numa rocha talvez 100 vezes, sem que uma única rachadura apareça. Mas na centésima primeira martelada a pedra abre-se em duas e eu sei que não foi aquela que conseguiu isso, mas todas as que vieram antes.

Jacob Riis