2010-05-30

Minuciosa


Das noites no nascer dos dias, a decomposição que era profunda e perfumada. O espelho do rosto refletindo a imagem. Não havia como cavernar ? Sob os pés na areia estava fofa, e aspirava com delícia. O jardim via ao redor de si com sua personalidade ímpar, tão belo que tinha medo da perca. Fascinante, e sentia o vento se insinuar entre as pétalas. A alma batia no peito vazando na pele: quem és tu, quem é ela ? Abriu a porta de casa, as maçanetas e os vidros da janelas brilhavam limpas. A lâmpada dava voz às palavras que saiam sem sentido em sentido de que estava ostrada. No sopro e bater de asas, romper-se. O olhar que recebera, fazia sangue se elevar, esquentava-a. E não havia como não olhá-la no olhá-lo. Secreto jardim tranquilo e alto, lhe revelava: Vã tentativa definir em palavras, apenas silêncio de respeito e enamoramento. Como navegar em águas, acabar agora por não saber o que dizer e quando dizer, afogar-se por inteiro no resultado do que bate no peito. O sempre preciso viver à morte e dar vida a quem olhos não vêem. Alimentar os momentos de entrega, múltiplas partilhas. No quarto de escuta propiciar milhas, adoçar-se com ideias e pausas em que tudo vive dentro do dentro. Dar à luz quando se senti perdida na escuridão, quando o momento à cegueira de alma impede mãos entrelaçadas. E com desdém, já não se interessa com nada e ninguém, reserva nula no espaço quando esse espaço já não é do alguém que sonda o coração, no que importa águas mais profundas. Mas a vida arrepiava-a, como um frio. E silenciosa, lenta, insistente e flutuante, a fé quebrantava-a nos olhos. Já não havia a pitada de horror da flor na entrega, mesmo no doído de certos dias, enfim, na primeira brisa mais fresca gritava vibrando aos quatros cantos da terra.


. canteiro pessoal

3 comentários:

Sr do Vale disse...

Que conto intenso.
Que bom conhecer gente que escreve assim......sentindo.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Fez lembrar a representativida do fogo sagrado grego...

bela imagem

abraço

Canteiro Pessoal disse...

Vale. Intenso são os acordes ecoados em madrugadas. E o sentir é exposto em nudez. O luar sussurra no ouvido o que dentro canta, e as palavras senti-las espelhadas no doce olhar.

Rafael. O vento assobia em versos incalculáveis, portanto, dançar no ar com o coração quebrantado.

Abraços homens valiosos, agradecida por seus pousos constantes que muito me constrange.