2010-05-08

Na varanda


Ela: - Queres tocar os lábios da não definição ?
Ele: - O que não definir, se tudo está como está ?
Ela: - Um pouco, pelo menos um pouquinho, por exemplo, a música. Pois se puder escrevinhar a palavra escrita partilhada... A chuva, que não existe mais, no silêncio de um órgão banhado.
Ele: - Não há tinta, o tingido em mãos.
Ela: - Mas faça tinta com amoras e vinho. E no encontrar o cenário longo de um poema em verso branco. No dialogar consigo, de forma bastante profunda, horas a fio.
Ele: - E o sistema em máscaras ?
Ela: - Não olhar, pois à hora mais escura, em pleno dia, aspira a casa para dentro dos pulmões. E transforma a casa musical ao redor do coração.

. canteiro pessoal

5 comentários:

Lu Maria disse...

Falar do indizível é uma forma profunda de viver da vida o que mais apraz e reanima a verdadeira sensação de SER!

Grande abraço.
Lu Maria

Juan Moravagine Carneiro disse...

Como nos dizia Pollock "Não podemos deixar a imagem carregar a pintura"!...Temos que seguir em frente, sempre...

Vanessa Souza Moraes disse...

Diálogo super intelectualizado.

Legal.

O Espelho de Eva disse...

Beijo-te a força para que não fujas do que virá, por certo que reajes, mais tudo é farça. A agonia que sofres ao toque de minha boca, ao calor de minha língua, não é angustia de fugir, antes é vontade de ficar.


Beijossss.

Nunca mais nos falamos... precisamos nos encontrar.

Canteiro Pessoal disse...

Ocorreu-lhe que a vida toda de um homem era desempenhar um papel, e que achava perigoso abandonar, por um momento que fosse, a sua falsa personalidade.

George Orwell