2010-05-25

Quem leva os fantasmas?


... as mãos se fechavam e nas noites brilhantes as palavras voavam. Capturar que o céu me nascia dos dedos. A ursa maior eram ferros acesos. Marinheiros perdidos em portos distantes e [...] escondidos em sonhos gigantes. A cidade vazia da cor do asfalto e alguém me pedia que cantasse mais alto. O tempo em que as sombras se abriam, que homens negavam o que outros erguiam. Da vida bebia em goles pequenos, tropeçava no riso, abraçava. De costas voltadas não se vê o futuro nem o rumo da bala, a falha no muro. Alguém me gritava com voz de profeta que o caminho se faz entre o alvo e a seta.


Abrunhosa, Pedro

4 comentários:

Patrícia Gonçalves disse...

lindo texto! muito, mesmo!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Realmente um belo texto...

Adorei a foto...

Talvez em virtude de gostar muita da chuva!

Sr do Vale disse...

Instantes perdidos ou achados, palavras corridas como guelas abertas, e meu coração esgotando o sangue do imaginário, rios soltos, veias de um jardim encantado, um lugar distante e ao mesmo tempo perto, e no meio do caminho um encontro incandescente.
Ioanes Nullius

O Espelho de Eva disse...

Estendeu os braços e foi o suficiente para que a alma se soltasse do corpo, como uma casca que se desprende da ferida e deixa a marca no lugar, pálida e frágil, jamais triste, pois quando é chegada a hora de partir de certo que é hora de recomeçar.

Beijos.
Saudades.