2010-06-11

sussurro


Na poltrona do pensamento, ouvir a música que derrete a alma. A musicalidade no tocar, e lágrimas teimosas a descer e molhar os lábios. No junho que está frio, a lareira acesa emanar um calor convidativo, e na leitura exuberante de entrega aos livros tão cantantes. O coração apertadinho no sentir do amplexo e adentrar no campo, resultante da cortina entreaberta. Cegar-se à leitura pautada na captura regrada, mecanismos a impregnar o gélido, que não há lavrar palavras e semear versos. Um filho está sempre à espera, mas a fecundação conclama caminho osculado e conquista paciente parte por partes. À chegada, inteireza ao ventre em reflexões: penetrar não academiada à epiderme, sim da que o vento com seu sopro infalível faz. As folhagens no baile vibrante, e ramos rendidos no exprimir em voracidade a essência da raiz. O tom marejado, e cores sobre cores de misturas intensas que se orquestram a entrega desnudada ao ilimitado ilógico. Pela entrega intimal, a saída do por cima do muro, com asas nas asas da cidade batizada retina. Uma casa aconchegante e inebriante em passos compassados descompassados a rodopios livres, alinhados na linha datada à palma das mãos tão desejáveis. Da retirada do salto alto para embrenho, adentro intenso, foca no que se fala em contato nu, paredes em mistérios. Os ponteiros no parar intraduzível, perante a face no espelho em renúncia genuína, transparência em tamanha evidência. Tal em operação profunda pela retirada de pele ressequida. Da pele banhada a óleo matinal, ar leve, numa intimidade que silencia e se livreta em dedos a percorrer cada partícula sem pressa. A cabana feita para encontros à busca de meandros íntimos, sem reservas, piscar de olhos e o edredonhar delicioso em braços ao som lunar. Com acordes desconhecidos, ajustada por quebra de orgulho, e ao saltante da cama na abertura da porta para residir do bem amado em letrativo poetizado vival, tão desejoso a perfumar o ambiente que lhe casa bem em toques surreais. A janta em preparação, e o vinho liberado do labial jardinado não fechados da partitura, mas apaixonado e ardente à metamorfose do passo dado, por captura da dança em chuva.


. canteiro pessoal

3 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Abrir e fechar a porta, o seguir as ondas do ventrear nas águas profundas. Pela corrente, imersa nas partituras, deixando os sentidos fuirem.

Sr do Vale disse...

Depois de percorrer pelos instantes descridos em forma imaginária, o desejo de percorre-los em forma real se faz presente.

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale,

Dentro do vale, ao lado de uma penha,
de onde caindo um fio de água canta,
a casinha de Priscila se levanta
ficando bem de frente para São Paulo.
A água que escorre pelo vale a dentro,
vai à ravina umedecer as pétalas;
e só para escutá-lo, me concentro.

[Parafraseando: Bezerra, Álvares]