2010-06-14

Dias e Noites


todos os dias
imagino sonhos de papel
e naufrágo num mar de impressões
todas as noites
luto com as palavras
que percorrem um jardim de labirintos
todos os dias
saio à procura
da criança que fizeste surgir dentro de mim
todas as noites
viajo à mais alta das torres
lamentando o que não vivi
todos os dias
sinto a ausência
sorvendo a esperança
como um abraço que faltou
todas as noites
ensaio uma dança
que ainda não estreou
no palco da vida
todas os dias
procuro por mim
todas noites
dependo de ti


Martini, Luciano


Há mergulho intenso, sem freios, à flor da pele no teatro existencial em cada partícula sentida e exprimida no poema, que tanto casa comigo em significado e vida. Hoje, apenas no ler e absorver, para que meu palco fosse refeito e abrilhantado com sensibilidade. Simplesmente, as palavras desbandaram-se no dia ofertado. A causa, o não saber, ou está tão escondido do escondida que o receio impediu o cavucar para à descoberta. A pouco, estive observando o céu está noite e não me pincelou alegria por dentro, apenas um vazio tão grande se alojou em reino perverso, usurpando o maravilhado e o tempo no não parar. Com a pergunta do que fazer com mancha negra na retina, para que o único fosse a razão do meu falar e fazer, no encontro do que estou em nado profundo desde que a ficha caiu no meu palco. Só que, dito momento vejo contagens, sabendo e gritando em letras repetitivas, que há mais do que aritimética. Quando é sabido, que beleza à face, no sentido de ser-se, faz com que os dias sejam fortes, e o coração de pedra à carne deixa o lugar de acomodação, pela expressão de uma vida que canta canção interior sem igual. Assim, fixar as palavras em minha cabeça e passos de dança, tocar a alma com a carícia de uma entrega por sempre estar sob a direção do saber adocicado que sustenta as estrelas no céu. E nas noites solitárias conhecer a presença do hálito, sentir o amor sob minha pele e penetrando meus ossos. No transformar que me completa, e faz melhor no permanecer do deslizo e fragrância. Então, quero ardentemente sentir o vento e saber que o mistério das estações está fluindo pelas minhas veias, batendo através do meu coração


Canteiro Pessoal

2 comentários:

. disse...

Priscila,

Todos temos os nossos "todos os dias e noite..."
Martini, brilhante, antecipou chuva sobre este canteiro,

todas as noites trafego constelações para lá do eterno,
flutuo na condição de apenas existir, sem rimas nem holofotes,
nem alegre nem triste, nem quente nem frio, nada detém essas rota de atmosfera pura, quase perto do delirar, mas o que importa se posso brincar de ser, acostumada estou com o beijo das noites em fuga, é um indo e vindo feito onda no mar, mas bem para lá onde me estaciono e então...
durmo.


gotejam
tuas palavras
como aroma
suave
sonho.

Ester.~

Canteiro Pessoal disse...

Ester, agora sobre pele aventuro minha retina e capturo palavras extremamente vibrantes, refinadas à decoração de minhas paredes pálidas. É mistério como o próprio mistério, faz-nos encontrar um manifesto a festar em íntimo, o vinho gotejante enunciado por seus dedos em palavras 'como aroma suave', à porta do sonho sonhar realizável.

Abraços ave raríssima.