2010-06-12

do céu no azul


Na branca flor que no jardim floresce, o vento, enfim, no escutante dos gemidos. A respiração, como música marcando os ritmos, o trilho das velas acesas. O nome nobre, eleva-se e eleva a retina enlaçando como fitas que decoram as falas. Os dedos escorrendo pelas ancas inflamadas pelo fogo da profundidade, riscando a pele em suaves traços. Entre letras entoando o espaço, que se faz silêncio e encontro, e se fica os abraços que soluçam na folhagem. A porta do recanto no bater forte, para o espanto dos monstros insistentes ao deredor, mas sabidos que há um leão, o amável de alma no aconchego da chave. Com língua macia, iluminando o olhar, que no sol vem despertar. No entanto, o ar é bravo, penetrante e ardiloso em ciúmes. A profundidade dos passos, como um sorrir de aurora bailante no quarto de escuta. O orvalho salpicante nas pétalas, que no outro lado da janela, pincela de cores o jardim numa manhã fria. A música jorrante que das mãos tocam as paredes em tela despida. E faz os lábios, silenciarem, para se ouvir. Voz que precisa ser voz, para que o borrão vermelho seja vomitado no preto, desacreditado. Da fragrância, o exalar da ternura à pele que desliza, e se constroi com a dança em versos sobre a tela branca. Na densidade do vazio, o soprar da brisa de ventos e em toques na conquista e o tomar, como obra de um mestre intraduzível, no dizer: - Venha, fique segura esta noite recostada em braços ?



Por toda a parte vejo a tua imagem.

Melo, Teixeira de


. canteiro pessoal

6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Olho para cima, a fim de ver a luz e não a minha sombra.

Gibran, Khalil

Sr do Vale disse...

Creia ou não, uma frase aqui escrita, soou em minha mente pela manhã: " como um sorrir de aurora bailante".
Talvez não dessa forma, mas algo insunuava o bailar, até cheguei a pensar em nomear a pintura com algo que remetesse ao bailado, solto, desprendido, como pássaro que voa, simplismente voa.

Manifesto Interno disse...

serão grandes os braços que abarcam tamanho ser..

Amo-te,
pelas palavras lapidadas,
leio-as
como quem encontra pedras preciosas em um rio límpido,
emociono-me,
pois já não sou dona do que sinto,
Sigo-te,
como uma sombra atrasada..


"Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer."

Franz Kafka

Canteiro Pessoal disse...

Ester,

Se o coração se esfria,
lá o amor se revela
e oceanos se partirão
ao sussurro do chamado
com a profundidade do universo,
as palavras que escreves em doçura
que declamam os sentidos.
Quando abres zelosamente os olhos
para a obra de suas mãos
que entende e prende em braços.
E se está cego pro caminho
lá de dentro, o que se habita
orará intimidade.

Amei-te ave rara, suas palavras enxertadas de calor e sensibilidade no jardim, constrange-me de forma inexplicável.

Obrigada.

Valéria Sorohan disse...

Que lindo, provoca um desejo de ler cada palavra aqui escrita.

BeijooO'

Canteiro Pessoal disse...

Valéria, digo o mesmo ao teu espaço, provocante em todos os sentidos, um adentrar intenso e degustativo em intimidade.

Abraços.