2010-06-05

mistério


tela do dentro,
território explorado ?
receio do que se encontrará
com um só olhar.
os escombros à vista
muito intenso,
denso e frágil.
em silêncio recantar
nas manhãs sonoras
borboletas amarelelas
tão belas.
de madrugada
junto à janela
compor-se no soneto
como uma lua macia.
no fundo,
a ossada entrar em gritos
e não se suporta.
diante do espelho
o pomar é um fio.
nos lábios da gardênia,
a tecer o beija-flor
que oscula a flor.
o quarto com estantes
e raridades,
diz a face
que escorre o tempo.
a flor que se curva
perguntas e respostas.



. canteiro pessoal

3 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Depois de ler este escrito, tive que ouvir Beth Gibbons...

abraço

Canteiro Pessoal disse...

Escrever para mim, é um meio, o único de que disponho, de abrir uma clareira nas trevas que me cercam.

Osman Lins

Sr do Vale disse...

Muito lindo, compactuo em silêncio.