2010-06-06

ser por dentro


A ligação, sentir o coração bater e no rasgar as profundas entranhas. Um leve toque de vento, o pingar de sangue de dentro para dentro. Com raios de translucidez que povoa à respiração. Que não se compreende pelos métodos ensinados, mas encontro provocando em pernas fortes: render-se. O difícil que não se torna difícil, pelo nulo em mente o difícil. De a palavra navegar dizer o que fazer em sopro. Pra frente neurônios, à espera contínua da escrita com borrão vermelho. A passarinhar, cantar o recanto causado pelo grito em broto. Os pés em flores, sorrisos não gastos, apenas no mais do almejado. Parar, lagrimejar e, fechando os olhos, respirar fundo o ar perfumado pelos detalhes da vastidão em torno. Com a enunciação das palavras mentalmente brotando, sem depois falar ou escrever. O pensamento de palavras precedido por uma instantânea visão, sem palavras, que se seguirá. A diferença espacial de menos de um milímetro.


Mas se amo os teus pés
é porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.


Neruda, Pablo


. canteiro pessoal

5 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Quero voltar
Dá-me outra vez
Fogo no altar
De comunhão contigo
Amado meu
Dono de mim
Por que fui me perder logo de ti?
Dá-me outra chance
Restauração, um novo começo
Eu sigo para o alvo
Aprendi a lição
Nunca mais deixar no altar
A paixão por ti
O fogo não pode jamais se apagar
Aumenta o fogo
Sobre mim

Ferber

Sr do Vale disse...

É tão difícil dizer algo, ainda mais quando a profundidade de sua escrita já disse.

ONG ALERTA disse...

As palavras são mágicas, paz.
Beijo Lisette

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale. É tão difícil dizer algo mesmo, eu que diga: afinal, a profundidade quando bate à porta, deixa-me num estado silencioso, e coração em rasgo. Esta que ronda: -O que se esconde por detrás da profundidade? O penetrável, hipnotizador olho nos olhos, na esperança de encontrar algo, e dizem entrelinhados para torrar os neurônios. Ensina-me a desocultar tudo o que não se quer mostrar por receio das pisadas alheias. E com isso, escrever-me no brilho dos olhos que cavuca. Um farol, uma estrela, à chuva e até ao sol. E capturar no quanto meus olhos são como um buraco negro, poço sem fundo do qual me desprender é suicídio. Grito, choro, bato à porta pelo olhar que me suga energias, para o renovo de vinho, misturando minha necessidade de mergulhar mais e mais, dissecando minhas entranhas e expondo todos os segredos almáticos, obscuros e fragranciais; conhecendo-me e aproximando-me do canal da comunicação viva.

Abraços tesouro.

Manifesto Interno disse...

Inebriante e hipnotizador diante de suas palavras, dá um certo medo, pois é um salto num interior vastíssimo, posso não querer mais sair daqui...

Kundera já dizia com muita propriedade: "Quem escreve constrói um castelo, quem lê passa habitá-lo"

mas há de ser uma leitura visceral, com todos os sentidos,


Bjs meus,