2010-06-27

Sobre Mulher


Por Léo Santos


Eu tenho plena convicção de que nenhum homem é digno de mulher alguma nesse mundo. A mulher traz consigo uma aura desejável que põe por terra toda e qualquer outra coisa desejável existente no universo. Nada pode despertar mais ânsia ou produzir mais gozo que a presença da mulher e suas irradiações estimulantes; é como se cada mulher fosse um astro que atraísse para si uma constelação de estrelas inferiores, um astro que dá vida, luz e energia a todo um sistema, sim, a mulher é como um sol, um sol tri quente. Todo e qualquer homem que porventura vir a tocar o corpo de uma mulher, deve trazer consigo a consciência de que está pisando em solo sagrado, terreno fértil, fecundo, hipersensível, delicadíssimo... O corpo da mulher é como um véu, de uma seda tão fina, tão mimosa, que nunca, jamais, a ciência explicará tal textura; é coberto com certa camada de uma película invisível e tênue, que o menor afago, por mais ínfimo que seja, desencadeia uma onda libidinosa que se espalha sobre toda a extensão macia e voluptuosa daquilo tudo, formando enfim uma malha cheia de pontos doídos, mas, doídos de uma dor tão gostosa, que ao invés da usual interjeição de dor, ela se desata em gemidos extremamente aveludados, que repousam nos tímpanos do homem e tornam-se carícias no âmago. A mulher quando entrega ao homem o seu corpo que é carregado de uma coisa boa que eu não tenho enquanto escritor excelência para desfiar argumentações literais que possam reproduzir em texto a grandeza e a intensidade, não o faz pelo fato de haver da parte do homem o devido merecimento, é algo injusto, pois, em verdade, não há na natureza ser algum que esteja a altura da beleza da mulher, que esteja apto a usufruir com autoridade e autêntico mérito de todo o prazer que a mulher é capaz de proporcionar, o homem ocupa pura e simplesmente um posto que a mulher lhe cede devido a ausência de uma entidade compatível, ou seja, que valha tanto quanto ela. A mulher é suprema e não disputa seu lugar no ápice com ninguém, pois, não há concorrência, portanto, o benefício alcançado imerecidamente pelo homem, de poder desfrutar da sublime intimidade feminina, tomando em mãos todo o encanto de um corpo de mulher e possuindo-o com frequencia, faz dele a criatura mais sortuda da criação, por preencher uma lacuna que lhe cabe tão somente por falta de coisa melhor. Todo homem deveria ajoelhar-se diariamente com as mãos e a face erguidas em direção ao firmamento para agradecer tamanha dádiva, pense bem, poder beijar a mulher, poder acariciá-la, sentir o cheiro, o calor, a saliva, a umidade; como pôde a natureza ser tão tirana para com a mulher, atirou a coisa mais perfeita da criação nos braços de um ser tão vil, a mulher por sua graciosidade merecia um parceiro que realmente valesse à pena. Ainda assim a mulher é dotada de infinita modéstia, dando ao companheiro a impressão de que ambos se equivalem, de que estão de igual pra igual na terra, e oferece a ele tudo o que há de mais gostoso nessa vida que Deus nos deu, não recusa nada, entrega de bom grado, oferece mais, lança-se no leito com graça, é indecente, submissa, dominadora ou seja lá que raio de preferência o maldito do homem preferir e joga os cabelos, e se lambuza, e se encharca, e se estira, e se abre, e se acaba e cai exausta no peito quente do homem que é criatura má e feita de nada mais nada menos que carne... E osso!


Léo Santos, que escrito tão bem articulado, pensado e vomitado. Até dito momento, não esbarrei com letras tão expressivas quanto as que li, a respeito da figura feminina, totalmente desejável. Simplesmente, sucede um arraso tão tamanho, que preciso em urgência, curvar-me diante a tua face literária, pela excelência que reside em suas entranhas.


Priscila Cáliga

5 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Prostro-me!

Léo Santos disse...

E quem não gosta de mulher?

Canteiro Pessoal disse...

Léo há um banquete nas linhas exprimidas, e quem não gosta, escondido está o gostar, também, notório o trilhar pelo viés acabando por atuar como uma, com isso impera a áurea e a fragrância feminina.

Sendo mulher, sempre à busca pelo viva e feminina, com o pacote completo, corpo, alma e espírito. A graça por ser uma, faz-me no encaixe do que me é reservado em plenitude, e no amar intenso e a nível de construção e metamorfose, unisso dentro.

Pâmela Grassi disse...

Priscila,

As palavras arrebatadoras do Leo revelam o que já guardamos dentro da gente, e que de tão intenso, nossa essência faz questão de espalhá-la ao mundo: filhas da Pacha Mama somos úmidas de perspectiva total; compreendemos o coletivo e permanecemos nele. Em nosso corpo, o húmus da vida.


um beijo, adorei, adorei esse post!

Sr do Vale disse...

O escrito vai na essência da crosta marítima da fenimilidade e de lá retira a pérola encantada que reverbera em doces brilhos a sutileza, a qual me causa calafrios, em sonhos de explendor.

Sou fã desse tecido em seda.