2010-07-31

apresentação

Ontem, 30/07/2010, dia marcante, pois sucedeu apresentação do meu TG ou TCC. Quase uma das últimas, cheguei em casa as 23:00 h/s, mas feliz e saltitante, a final de contas, bastante prazeroso, saboroso estar à porta de uma realização, e já em prenúncio da especialização, matriculada numa pós. A pós escolhida: Neuropsicopedagogia e Desenvolvimento Humano, está que é intrigante e embrenho profundo no que corre em minha veia. A temática do TCC com enfoque numa síndrome. A síndrome é o autismo, com o título: Autismo: um pequeno olhar nesse grande universo. Este que é uma alteração invasiva do desenvolvimento ou perturbação global do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida, podendo coexistir com outras patologias e com a compreensão numa tríade comportamental. Uma deficiência ao longo do desenvolvimento, partilhando três principais áreas de dificuldade: com a comunicação, a imaginação e de interação social, na qual sua condição vai afetar os seres de maneira bastante diferente. No atual, geralmente aceito que as perturbações incluídas no espectro do autismo são neuropsiquiátricas que apresentam uma grande variedade de expressões clínicas e resultam de disfunções do desenvolvimento do sistema nervoso central multifatorial. Este que vem sendo estudado pela ciência há quase seis décadas, no qual ainda permanecem dentro do próprio âmbito da ciência, divergências e grandes questões por responder. Engloba na PEA, a Perturbação Autística, Perturbação de Asperger, Perturbação Desintegrativa da Segunda Infância, Perturbação Global do Desenvolvimento SEA e Síndrome de Rett.


O autismo é uma síndrome representada por um distúrbio difuso do desenvolvimento da personalidade. Incapacidade da criança em desenvolver interações sociais normais ou uma linguagem comunicativa; são igualmente típicas a extrema obsessividade, preocupação, perseverança, resistência as mudanças e ações estereotipadas. Quando chega a desenvolver-se, é caracterizada pela pobreza pragmática e semântica. Um distúrbio do desenvolvimento cerebral, embora etiologia incerta. (COHEN, 1990, p. 409)


Trecho: parte das considerações finais, pois é longo e uma citação que, conduziu-me à reflexões diárias.


Em suma, o trabalho procurou abordar um pouco do complexo mundo autista, de realidade, que engloba conceitos distintos, mas que se cruza em determinados pontos. A evolução que se tem verificado ao longo do tempo relativamente à sua terminologia tem convergido para um melhor esclarecimento da síndrome autista, (PEA), embora seja necessário ter em conta que as características identificadas não estão presentes em cada indivíduo, nem se manifestam sempre do mesmo modo. De fato, cada vez mais se vai desvendando e ainda há por embrenho profundo, esclarecer e descobrir. O autismo pode dever-se de uma anomalia específica cerebral, de etiologia complexa, assumindo-se como uma perturbação do desenvolvimental. Além disso, no indivíduo autista encontra-se o deficitário, anatômica, química e psicologicamente, segundo Marques (1993, p. 62), “um mecanismo cognitivo complexo que permite julgar os próprios pensamentos e imaginar os estados mentais dos outros”. As suas manifestações comportamentais variam de acordo com a idade e as capacidades do indivíduo, embora as suas características gerais, presentes em todos os estágios de desenvolvimento, perturbações no âmbito da socialização, comunicação e imaginação.


Se as pessoas com autismo não têm a habilidade para “pensar sobre os pensamentos”, tanto os seus como os de outros, então elas são como estrangeiros em uma terra estranha, porque o mundo em que habitamos é um mundo social. Nós interpretamos os comportamentos em termos de estados mentais. Sem tal “a teoria da mente”, o mundo social deve ser um lugar aterrorizante, imprevisível. Não é de surpreender que a criança com autismo com frequência lute contra ele, ou escapa dele física ou mentalmente. (HAPPÉ apud BAPTISTA e BOSSA, 2002, p. 114)


Referências

COHEN, Simon Baron de. Autismo: uma alteração cognitiva específica de cegueira mental. Cambridge, 1990.
MARQUES, M. Autismo e Solidão Pensar. Pais & Filhos. 1993.
LEÃO, L. L. e AGUIAR, M. J. B de Aspectos genéticos dos portadores de transtornos invasivos do desenvolvimento. Em: CAMARGO, Jr. W. (coordenador). Transtornos invasivos do desenvolvimento. Brasília: Corde, 2002.
SCHWARTZIMAN, J. S e ASUMPÇÃO, F. B e Col. Autismo Infantil. São Paulo, Memnon, 1995.
BAPTISTA, Cláudio Roberto e BOSA, Cleonice de. Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção. Porto Alegre: ARTMED, 2002.

Priscila Cáliga

2 comentários:

Saulo Taveira disse...

Belo trabalho. Sige adiante. Entendendo, ajudando.
Beijo.

Sr do Vale disse...

Pri, parabéns por dedicar-se a esse universo surreal, intrigante, o qual necessita de pessoas com percepção apurada como a sua.