2010-07-15

Há muita estrada a percorrer...

... mas descubro que conheço apenas a sala de visita do meu próprio ser.
Cury, Augusto



Certa vez, disse-te que exalava uma visão sobre a vida, mesmo com certo olhar turvo e o sofrimento humano acerca dos por quês e pra quês. No dedilhar, o violão por pincelar-me, que seria os sempre prenúncios como poetisa que não se intitula, e em gritantes rachaduras o tempo adocicado voltar pra fazer versos. Os pontos e vírgulas, no início me freavam e o futuro da minha humanidade, meu presente, tinha receio da liberdade criativa, do dicionário, e o vomitar transparência, as entranhas do por trás. Agora, quando laço, enlaço à lua, as rimas primas batem à porta do consultório do par de seus olhos para saber o que transcorrem devido sinais de abatimento, o princípio do precipício, para o fio do poema no chegar ao fim, mas para pintar o quarto em pequenas transformações, epifanias. Nesse ambiente, em folhas amareladas, entristecida pelo clima que está ao redor-de-redor devorador, lambo o teu olhar capturado dos escombros e ponho-me face a face. A grafar uma comovente missiva, o espelho do livro, abre na parte do combater o bom combate e chegar ao fim da corrida, e recebimento da coroa, que, direciona-me no cio e silêncio para escutar-te, com isso balbucia a alma que dança por renovo das mãos sujas e vestimenta lameada, dificultando impressão de letras vivais. O céu está cinza e torna-se grave porque leva embora o meu brilho de sol, ensaio que não ocorrera separação antes da pré-estréia almejada, e questões de minutos nunciada com o aval da diretora. Num olhar de águia, exprimo tintas coloridas em misturas incalculáveis, à percepção e tatear assinatura do artista supremo arquiteto nas flores, nas nuvens e também nas crises que faz com que não ande em círculos. E dos transtornos psíquicos renascerem o ósculo, e sinceramente, adentrar no delirar proveniente do impossível possível à chegada no compartimento que se depara com beleza nos caos, a partilhar dos meus sonhos. A indescritível riqueza dentreada em intimidade, com um patrimônio psíquico de inestimável valor em meio às lágrimas e desespero, uma criatividade espantosa. Nas histórias desbotadas pela tinta da memória, revelar-me ante a fonte excepcional com uma engenhosidade sem precedentes à re-pintar-me num pedaço de papel. A minha pele poeta, encontra-se, com camadas exaustas e gesticular intenso arrancando as páginas, e pulo por cima do mais alto muro que está recheado de poesia em borboletas. É veracidade, no teatro do encéfalo real, aprende-se a resgatar a liderança em dois em um, em crises, que reticências atuam-se com primícias no ser-se livre do cárcere do medo.

. canteiro pessoal

4 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Este é o tipo do escrito que me reservo o direito de só ler...

E alimentam possíveis comentários no decorrer de futuras leituras

beijos!

Canteiro Pessoal disse...

Rafael, entendo-te, e momentos assim, conduz-me no pedido do abrir as comportas dos céus sobre à face nua.

Abraços.

Roberto Montechiari Werneck disse...

Vou voltar... são reticências do prazer.

Beijos

Canteiro Pessoal disse...

Roberto, que alegria tê-lo no jardim, e bom saber, degustar por ser 'reticências do pazer'. O prazer aqueça seus órgãos e o conduza no adentar do além, trilho ilógico [incomum].

Abraços ave rara.