2010-07-18

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olho-te
de perto me olhas,
cada vez mais de perto,
e então,
olho cada vez mais de perto
e meus olhos se tornam pequeninos
ante seu fragranciar letral.
aproximo
sobreponho,
respirando a tua boca bailante
mordendo os lábios da literatura,
apoiando
veloz a língua nos dentes,
e nas suas cavernas,
um ar pesado vai embora
vindo um perfume antigo
com o grande silêncio.



Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tola, meio melodramática, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.

Abreu, Caio Fernand
o


Canteiro Pessoal

4 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.

Schopenhauer

Sr do Vale disse...

a aproximação se faz inerente.

Fabio Rocha disse...

Isso ficou tão forte e lindo e sensual... Beijos

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, 'ligado de modo íntimo e necessário, inseparável'.

Rocha, fortes seus olhos. Lindo teu tatear. Envolvente em erudição.

Abraços aves raríssimas.