2010-07-10

Em que maio colhê-la?


já se escuta os sinais
sagrada primavera
à terra,
metamorfose planta e flor
da busca acalorada
enfeite perolizado
entre as grandes folhas
alastra em volta
retinas a mar
trilhante na tecla
do escutar estrelas
a colar na palma das mãos
desatrelada do comum


partículas a tocar
o ler a pele
deitada na relva de cetim
coberta de pétalas em sentidos múltiplos,
inebriante
manto cobrindo o chão em aromas
sem fim,
como quem toca um véu delicado
a cantar uma canção hipnótica
voz do percorrer órgãos
nulo fugir do ritmo sublime
melodia penetrando labirintos
a silenciar palcos no que está em excelência


Tapa-me os olhos: ainda posso ver-te
Tapa-me os ouvidos: ainda posso ouvir-te
E mesmo sem pés posso ir para tí
E mesmo sem boca posso invocar-te.
Arranca-me os braços: ainda posso apertar-te
Com meu coração como com a minha mão
Arranca-me o coração: e meu cérebro palpitará
e mesmo se me puseres fogo ao cérebro
Ainda ei de levar-te em meu sangue.


Livro: Correspondência Amorosa

Canteiro Pessoal

5 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

O amor como laço de que misterioso se faz irresistível, inenarrável, com substâncias, misturas e de diversos grupos de células ligados por circuitos, sempre atentos ao ilógico e sinal, que geram cascatas neurais e fluídos poderosos, desativando frieza e cálculo. Ao nulo está no encontro de definição, apenas entra de forma desprogramada, como uma avalanche no existir de um sujeito, a final de contas, o instinto, o cheiro, o que está em nado à pele, captura a química, o tal agradante [gosto alojado desde o ventre, à espera do ósculo para despertar], o brilhante processo de composição. Enfim, 'é preciso que a gente seja sempre, um para o outro, duas deliciosas surpresas fecundas'.

Priscila Cáliga

A.S. disse...

Gostei do teu jardim secreto... muito!!!:)

BeijO
AL

T@CITO/XANADU disse...

Onde vai,
Coloca a natureza
Em destaque,
Mostra que a beleza
Vive ao redor.

É tanta vida que nada se trai,
Só atrai...

Abraço
Tácito

Canteiro Pessoal disse...

A.S., que bom o gostar muitooo... sinto-me honrada. Também, digo que estou enamorada por um poema em teu espaço, com título: Primavera

Primavera

Há um aroma de Maio pelas veredas.
Múltiplas, as cores se beijam, surdamente,
enquanto as aves, em voos incertos e ancestrais
gritam suspensas sobre os veios de água.

No desatar luminoso das manhãs,
há uma andorinha melodiosa a namorar o sol,
mas és tu quem planta a primavera sobre o viço das folhas
e acendes a luz que nos molda as bocas na nudez do desejo.
E toda a madrugada floresce!

Assim se aprende a ternura de um gesto
desenhando carícias onde súplicas esvoaçam,
como o reflexo matinal da luz do sol sobre as águas…

É belíssimo, vinho molhando meus lábios.

Abraços precioso

Canteiro Pessoal disse...

Tácito querido, bela ave rara, que saudades de seus pousos no jardim. Como sempre o teor de suas palavras de grande intensidade e respeito, és poeta em harmonia que leva-me as alturas e nado profundo à reflexão.

Obrigada!

Abraços.