2010-07-21

Pontuar


Há um rasgo na mente, tenta-se ir fundo no início desse buraco, mas ocorre uma parada momentânea nas funções que arquivam os fatos. Certo delete não permitido entrou em cena. Perdão ? Permitida, afinal, a voz de comando está em poderio. Há uma voz sussurante ao pé do ouvido, um trovão sacudindo as entranhas em podridão, acostumada com comodidade. O tatear está áspero, devido à falta de sensibilidade e desprezo as palavras que conjugam as orquestra dos órgãos vitais. Os papéis na direção desprezados observam a nuance do olhar que não derrama uma gota diante as linhas apresentadas em veemência. Com pés em salto alto, esmagando cabeças que no outrora e ainda atual em prisma e esfera, revelam-se num caráter humilde, doce e amoroso. A noite está exposta, e a cabeça estará entregue ao travesseiro há poucos minutos. Mas como se dormirá perante uma arrogância e coração em pedra ? A retina está negrulosa, lábios vomitam pragas, sem pensar nas consequências, e que o que planta, colhe-se, curto ou longo prazo. A salvação bate à porta diariamente, e a pouco ocorrera, opa, agora. – Toc... toc ! Ignora-se o chamado, que com vestes novas oferta à pele resseca pela erosão, dos alimentos que não permitem o fazer da digestão em luxo e proporcionar vigor, aspecto saudável. De antemão todos ao redor enxergam a miséria por dentro, na aceitação do viver de forma tão repugnante e mesquinha. A cegueira é fato, mas ao lixo está e o cheiro como enxofre em elevação, um gambá é mais cheiroso que o ser em palco. Uma mutante ambulante em andanças sem sentido, com o intelectofútil em reino na geração a qual inserida no globo. Não é dito no dito que a razão desmorona uma ossada ? A taça em pedaços, e o vinho já não se encontram a favor. Uma casa em destroços e com traças, lama, pés de solados fixados no piso antes tão liso, branco e brilhante. Como espelho se enxergava na medida em que se davam os passos até o lugar esfumaçado, contendo a presença do Rei. A trombeta está em prenúncio, o ponteiro veloz como nunca atuou, a ponto da entrega na voz única de chamada e a eternidade fixada no grito de realidade.


. canteiro pessoal

8 comentários:

Saulo Taveira disse...

"...um gamba é mais cheiroso que o ser em palco. Uma mutante ambulante em andanças sem sentido..."
Perder-se de si é arriscado. A gente fede, se cega, morre andando a lugar algum, buscando não sabe-o-quê. Despertar com um grito é atirar-se dum precipício.

Sigamos nos acompanhando. Bju.

Canteiro Pessoal disse...

É Saulo, perder-se de si por esse vies, bastante arriscado, conduz ao declínio numa totalidade. Necessário embrenhar na pauta de que um coração rendido e aberto as mudanças, postura humilde e silenciosa, há um viver em excelência, e volta-se o olhar para o desabrochar de uma flor, atentar àqueles que estão ao redor. As interações, nos modelam, [re] modelam de forma que nossos olhos no decorrer absorverá um banquete, o fruto será colhido saudável e desejável a si e ao semelhante.

Abraços.

Cris de Souza disse...

Esse texto explode na entranhas...
Que maravilha !

O prazer é meu, Priscila.

Canteiro Pessoal disse...

Cris, as três camadas são postas à mesa e a face ao pó em reflexão aprofundada, causa-me um arrepia e minha ossada se debate e língua ante as mãos que re-desenha um coração de pedra no chamado por de carne, sensível, reconhedor, com a arte de olhar pra si, simples e humilde, o intrapessoal e ao mesmo tempo, no interpessoal. Soa: - Toc... toc!

Abraços amada.

Controvento-desinventora disse...

Adorei seu blog e sua visita...Sua proposta é muito interessante.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Hoje estou passando para agradecer
a sua amizade.
Amizade que torna a vida preciosa.
Que enche de cores as minhas palavras.
Que me faz ainda mais feliz,
com o afeto distribuído
a cada visita,
a cada comentário
e a cada palavra escrita
no livro dos meus dias.

Sua amizade me faz melhor.

Juan Moravagine Carneiro disse...

suas palavras arderam diante de nossos olhos...

E o nosso poema?

beijos!

Canteiro Pessoal disse...

Rafael, vamos lá!