2010-07-21

Transparência

uma flor
não longe da noite
meu corpo mudo
se abre
à delicada urgência do sereno


Pizarnik, Alejandra


Minha vontade silencia ante o sabor da tua nudez
Como alimento palavras pra ler demorado
A absorção dentro de ti dedilha
Toca-se o contorno transbordante por todos os poros
Da unissa boca a substância do desfazer tudo
E recomeçar as camadas no incêndio
Nas hosanas o crescer da ternura e deslizo
[Re] pintam-se as resolutivas da busca
Como vomitados faróis a guiar
Da minha mão a garganta sinaliza
Eleito o fio de teu cabelo alvos como a neve
Entre muitos a tua soberana liberdade, sabor do mútuo
O perfume que sorri luar espelhado
Repouso em teu colo de encaixe
E teu olhar descreve o profundo prazer
Minha alma sente o voejar,
Recantos de silêncios nomeados
Tal desejo escorrer por entre a face nua


Canteiro Pessoal e Karen Aguetoni

3 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Karen, amei a construção do quatro mãos, de um intenso deslizo sobre a face nua, como uma transparência vista e revista por dentro, levando a pele como uma tela branca para o jorrar do vivo vermelho que conjuga glamour, metamorfose e perfil pleno, sublime, a registrar em flashes o encontro consigo.

Abraços Ave Rara

Patrícia Gonçalves disse...

Priscila, ficou lindo, parabéns a vocês duas! um erotismo elegante, poético, me lembra uma dança, com véu de seda, que cobre e ao mesmo tempo, desnuda.

beijos

Canteiro Pessoal disse...

Patrícia, também achei que ficou lindo e com certeza Karen também achou. Proporcionou a partitura a quatro mãos uma abertura e consolidação de laço de amizade. Enfim, obrigada querida pelas gentis palavras.

Abração.