2010-08-15

A Chuva


aroma à boca da fronte se erguem lira e folha em brilho. o rasgo na partitura no enlouquecer em brasa em goela vival. os passos de substantivo ante face do verbo sem cessar, implacável e veemente. a galinha ao molho pardo com toque leve, deslizante ao prescritar audível num ambiente em neve e vinho no colado. não canto, sim falar, sentido que há musical da voz meteoro puro indelével. nula voz, no sentido por dizer palavras: fôlego! o deicídio resultante revelar da mudez cantada de história de viver, amar e morrer. a busca da intocada intimidade em toque intimal à flor da pele, desabrochar mapeante por perseguir o movimento da chama do palito de fósforo. entonação do olhar tateado a saber, gritar a forma da alma mortificante do ego sem sangue não clareando o ler. traço a traço noites no sopro, viagens de luz e sombra dos lábios, alimentar-se os dedos sob a retina crucificada a desvelar em segredo o chamado.


. canteiro pessoal

4 comentários:

Jorge Pimenta disse...

priscila, fiquei rendido ao teu comentário lá no viagens de luz e sombra a propósito do texto deicídio. hoje, de regresso de uma viagem, deparo-me com a essência do testemunho aqui no teu canteiro, justamente elevado à condição de post. pois, se não é arrepiante o modo as palavras ganham forma e cor e se elevam à condição de actuantes num cenário sinestésico, onde o eu é apenas o deus que perdeu a própria redenção...
em réplica ao que postaste no viagens, escrevi (e partilho aqui contigo) que aquele deicídio é um processo natural de autodegenaração dos ícones e demais horizontes que, desde a infância, são projectados para néons de alfazema que reverberassem no dorso da mesa-de-cabeceira, nos bons e maus momentos de uma escalada a que chamamos vida. mas o néon extingue-se, a pouco e pouco, no arquejar lento de uma realejo que torna mínimas todas as voltas daquele gemido onde cactos e urzes benzem os jardins outrora vivos e viçosos. aquele deicídio não é o de um qualquer deus; é o daquele que cada um de nós construiu dentro de si e que acaba por adormecer quando mais dele precisamos em vigília...

um beijinho!

Braulio Pereira disse...

delicia

:)*

beijo meu

Canteiro Pessoal disse...

Pereira, obrigada!

Abraços.

Canteiro Pessoal disse...

Jorge. O deicídio um tempo de silêncio tão familiar fez com que minha pele retorna-se a costurar estrelas, tocou-me no noturna e imperfeita. No gesto afetuoso da busca, orientar-me ao toque que dissolve a superfície parada de umas águas. A pequena raiz delicada pintada nas telas, construída gritantemente por rebentar com o tendão tenso, no aceite de que nem sempre é necessário tornar-se forte, que respirar as fraquezas se faz sábio e aprendiz.

Abraços