2010-08-08

Duo Sensorial

Olha só o que escrevemos: o mesmo texto, a mesma reflexão, a mesma ideia, porém, cada qual a seu modo... Duas sensações! Dois sentidos! Duo Sensorial!


Com lentes,
perfis incomuns
no entrelaçado dos dedos.
Dois sentidos na redefinição.



O descortinar dos olhos uma gotícula que abre o céu. Escrevem-se múltiplas missivas no rompimento de barreiras, e as palavras, nulo cessarem. Ao descarte de explicar as razões pelas quais o sol se faz ausente em fases precisas para desarme. A fazer desmaiar na selva, para que se desça até o mar inexplorável indagativo sobre todas as estações. Escolhe-se as notas como um artesão leva seu tempo precioso, quando se ajusta em pérola. As transferências dos dias núncias asperezas, mas todo amanhecer promete procura nas rasuras, e uma página a lápis escriba musicalidade em dentreamento no contínuo. Embora, a partir de onde se indaga, jamais o outro permanecerá entendendo se afoito não trilhar em minúcias, parte para alcance de inteireza, fazendo um bom gesto de sentir em silêncio o que ao grafar, salta-se de casa com conexões. Em coro os sentimentos assinam, selam o retorno do aprender e se calar.

Priscila Cáliga



O entender a vida é como uma porta para o infinito. Enviemos cartas e epístolas para que quebremos os paradigmas e, nossas letras, não serão apagadas. Não se faz necessário dizer o porquê das noites quando todos sabem o quanto elas são necessárias. Silenciemos como as árvores, e mergulhemos nos oceanos que guardam as perguntas sobre tudo. Minuciosamente e sem pressa, buscaremos as cores certas, e a tela será linda. As metamorfoses da vida deixam marcas doloridas, todavia, um novo dia cura todas as feridas, e desenha em nossa alma uma nova e sucessiva melodia. Sabe-se que haverão muitas perguntas, mas ninguém saberá a verdade se não buscar de todo o coração, se não se entregar por inteiro, se não se calar para ouvir o que dizem as palavras, que do papel voam para o âmago. E o universo confirmará em teu coração, completando o ciclo da silenciosa sabedoria.

Léo Santos

5 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Você sumiu do Rembrandt...

Saudades de vc

beijos

Canteiro Pessoal disse...

Rafael, ave rara, não esqueci do Rembrandt, pelo contrário, sua casa me faz falta, apenas não estou conseguindo ler os blog's que nadam em minha pele, pelo tempo andante no curto. PERDOE-ME!

Abraços

Sr do Vale disse...

Duo.

Canteiro Pessoal disse...

Sr do vale, 'a surpresa de ver que o pintor começa por não recear inclusive a simetria. É preciso experiência ou coragem para revalorizá-la, quando facilmente se pode imitar o "falso assimétrica", uma das originalidades mais comuns. A simetria é concentrada, concentrada. Mas não dogmática. É também hesitante, como a dos que passaram pela esperança de que duas assimetrias encontrar-se-ão na simetria. Esta como solução terceira: a síntese. Daí talvez o ar despojado, a delicadeza de coisa vivida e depois revivida, e não um certo arrojo dos que não sabem. Não é propriamente tranqüilidade o que está ali. Há uma dura luta de coisa que apesar de corrida se mantém de pé, e nas cores mais densas há uma lividez daquilo que mesmo torto está de pé. Suas cruzes são entortadas por séculos de mortificação. São altares? Pelo menos o silêncio de altar. O silêncio de portais. O esverdeamento toma um tom do que estivesse entre vida e morte, uma intensidade de crepúsculo'.

Lispector

Abraços tesouro

Léo Santos disse...

Obrigada por esse texto tão lindo cuja alegria da co-autoria levarei comigo eternamente!

Um abraço!