2010-08-01

paladar


no ventre os dedos do ósculo como flor renasce em veemência, as pétalas grafitam nas paredes do jardim. a procura aquece o todo e não se envenena, apenas se toca, faz gemer e pede ante a cama penetrar suave das letras no queimar como antídoto que aplaca o sofrer, e consolida o habitat no amplexo forte. o gozo na face lentamente estampada fluir incomum, abre-se o baú dos manuscritos a transbordar o que profeta apregoa. o silêncio grita a verdade, o amor que traz goles e mais goles de vinho único, tinta numa boca no aceite de repouso, tatua-se na pele. do acreditar, maremotos de palavras se misturar, cose para dentro o que rasga nas entranhas por linhas singulares, profundamente mergulhadas em prumo do céu que orienta. cala a boca, deita na imensidão, e a voz ecoa na teia do bailaste, a qual a musicalidade ultrapassa os ouvidos, nada é interrompido, não há ausência do cheiro. dos passos no quarto, o calor teor de uma estrada em achado a luz, como cobertor. nas mãos digitais de coração em carne, aberto numa manhã que se levanta o prenúncio de embalar ciranda em fina garoa à pele clara, no pedido para ter sensações sentidas em todos os tons.


. canteiro pessoal

6 comentários:

Patrícia Gonçalves disse...

Adorei todos esses sentidos, os senti na pele, o ósculo da palavra...

onzepalavras.com disse...

fazia tempo que não passava por aqui!

Léo Santos disse...

Não me canso de apreciar a tua escrita cheia de segredos, cheia de enigmas e abstrações. Será que tu também é assim como pessoa?

Um abraço!

Sr do Vale disse...

E nesses tons e semi-tons, estou sempre a enveredar.
Penso na descoberta e no silêncio das bocas ocupadas com as sensações, e dos corações arrebentando bateria percursiva, enquanto os olhos se fecham, e as mãos seguem as sinuosidades de nossos corpos.

Valéria Sorohan disse...

Impecável, perfeita....de uma belezura indescritível...que alma linda que deixa estes versos assim, encantadores.

BeijooO

Canteiro Pessoal disse...

Léo. A retina contém segredos de um lugar secreto, com a fronte em reverência, pluma e vôos em nado nos enigmas e abstrações que o ilógico oferta no diário, a qual escrita transcorre com o rubro de uma paixão, o levantar-se, nasce e [re] nasce no cotidiano, e não se desfale ante a face conjugada mar inexplorável, sempre em prenúncio de chamado para exploração incomum.

Abraço ave rara