2010-08-22

Vento em Vento

(...) que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os olhos de sol.
Jácomo, Ana


chegada até as teclas
a guerra com a alma
momento sem sol
na memória dos olhos
descabelar completo do íntimo
retina definida mancha: estação pálida
medo com parada a freiar
na voz da aurora espelho falante
sem vôo livre na ausência do movimento
trilho de nula vontade tatear
cavernar para refaz
páginas do andar desvanecido
lidas e re-lidas na repaginação
parágrafo duro de absorver
acontecido desafio em palco

aceitar ?


(do costurar estrelas na tempestade só no amor
doer-se na inteireza até florir de novo)


. canteiro pessoal

3 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

As manchas roxas na pele tendem a desaparecer num curto período de tempo, com ou sem aplicação de pomada. As manchas que os sustos colorem na alma, não. Essas precisam de outro tipo de atenção para serem dissolvidas. Atenção e muita, muita, paciência.

Jácomo, Ana

Jorge Pimenta disse...

de olhos com estrelas e névoa densa se faz um rosto mas apenas com a tempestade de luz se inaugura o ser. e é deste bordado de miradas e cegueira que rebenta a certeza de um florir que se renova e se perde no tiquetaquear do coração.
um beijinho, priscila.
as tuas viagens lá no luz e sombra são flores que não sabem mirrar. obrigado!

Canteiro Pessoal disse...

Jorge. O fervilhar faz o sepulcro vazio sobre um dentrear assumido aceite do tomar banho em sangue antes de sair e perfumar-se com perfume que é segredo entre estrelas costuradas. Pele e raízes vomitadas em cores no núncio de agreste e um pouco áspero, com doçura escondida sobre nascentes.

Abraços e obrigada pelo pouso.