2010-09-11

coleção dos vocábulos

Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava não se comprometia não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela.

Lispector, Clarice




à nado da casa ao lago, um texto entranhado a percorrer o labirinto à porta, momento das traduções. como cantar e oferecer ? uma inspiração da hora plena com sabor de inteiro em início, clímax e desfecho. notas do está das pinturas surreais, e deparam-se arranhadas à banquete, entre o pão e a mesa, no copo que se leva a boca. a palma das mãos em estado catastrófico com pincel e segurar da consonância de olhares em chamas. da epifania à cunho ? uniformidade de som, os passos no assoalho na terminação de palavras ou frases, ao ouvido a impressão de repouso. música em constante evolução. em grito labial como flecha cada movimento letrativo, do vomitar conciliado e revelativo nas camadas. o sentir da chuva molhando o ser, do encher que não priva a pele da respiração e sangue em amplexos, a rasgar com o banho do lençol de seda pura. o chamado das aspirações outroras à presente futuro, à tato celeste no mais arraigado para visão refocado no essencial. substância das rimas dos anúncios. de lado o urgente para adentramento fiedigno no alvor. o prelúdio da foz no vigoroso e viçoso: importante. o tudo orgânico em vôos, e as milhares de células que fazem e refazem nos dedos o engresso do vinho de marca. hemoglobinas a todo vapor como nascente, metamorfoseadas com cicatrizes indeléveis do firmamento. os traços distintivos à liberdade, resgate da humanidade em palco, com busca ao aborto do egoísmo e enlaçar da reconstrução vival no espelho da lua. o escorregar da alacridade sobre a pele com o desejável da imensurável fala em docilidade. rubro sensível do responder, sem riquezas em ofertas que traças corroem, não se leva, e pincela-se destruição psicológica com laço à dependência no externo.


. canteiro pessoal

5 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Tudo isto me deu o leve tom de pré-clímax. Acabam de surpreender em mim o meu suave pré-clímax. O pré-clímax foi agora talvez a minha existência.

Lispector

Sr do Vale disse...

Tenho a intenção de traduzir cada palavra, cada letra desse texto, porém ainda assim, mesmo que consiga mergulhar na intensidade das palavras, ainda assim estarei longe do climax.

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, como diz Foucault em As Palavras e as Coisas:

[...] por mais que se diga o que se vê, o que se vê não se aloja jamais no que se diz, e por mais que se faça ver o que se está dizendo por imagens, metáforas, comparações, o lugar onde estas resplandecem não é aquele que os olhos descortinam, mas aquele que as sucessões de sintaxe definem.

Que tal cruzarmos os olhares?

Jorge Pimenta disse...

priscila,
quando te leio, desligo do universo material e mergulho nas sequências de imagens e signos com que, de modo subtil, destróis a arbitrariedade e a discricionariedade que as palavras reclamam sobre as suas fundações. na tua escrita, os referentes parecem a pele que veste as palavras. renovadas experiências sensoriais e intelectuais aqui, sempre.
um beijo!

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, sua pena levava ao olhar de águia, banho profundo, à foz do lamber-me os dedos e com alacridade saltar da cama e folhear na cabeceira o que está no diário de uma paixão o manuscrito permanente do pano preparado para pintura. A visão do azul atrelado como a cor do sangue em pauta à taça no envolvimento em novas construções e abstrações intelectuais da recomposição. Da primeira luz do amanhecer para extração do sagrado, do profético e do sistematizado o que fora arrazoado e entregar os resultados na tela do que voejado se captura em sabor e habilidade do desabrochar de uma gardênia, da menina-mulher quando a lua não negou existência ao campo surreal: receptividade à música em pele, com a mão nua, pétala por pétala despida no chão com a voz de trovão do universo letrativo em forma de asas, o reino do vomitado o que luta a favor do mar rubro não separar, mas remodelação como as estrelas do céu, que longe, sempre incansável retorna à porta da espera para recriar novas partituras, ideias à escultura firmada em sonhos e desejos chegados e realizados, pois o ato de teia no telhado cintila-se pelo doce poema em imagem para o tempo, ao fundo da história contada, da consciência tramitar e correlatar o instinto e visualizar a essência do versejar em olhos que se tocam o olhar de maio que rasga a pele em releituras indeléveis.

Abraços ave raríssima.