2010-09-26

Infindável

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.



Andrade



Árvores da vida estão florescendo no som dos pulmões, plantas das palavras afáveis, a semente que faz sentir crescimento de bondade no levar a palma das mãos ao arrependimento. Os vestígios de libertação que ouve nas batidas e se canta em sarau cântico da redimissão à busca da paixão do chamamento por mais, e faz ecoar transformação plena por rugidos dos rios de renovação, e o espírito abrilhantado na tela da pele em pedido do sussurrar um revival nos traçados, enviando os movimentos apressadamente com abertura do coração na esperança de unidade e do amor na humanidade perdida.

. canteiro pessoal

6 comentários:

Noslen ed azuos disse...

oi Priscila!
quanto te leio, me perco de mim alheio e brinco com sua filosofia espontânea do novo respirar.

bjs
ns☺

Canteiro Pessoal disse...

Azuos, perder-se como ganho imensurável se faz voz operante, e, amanhece-se pelo nascer das estrelas em nuances, com minutar de palavras fechadas à cama aflora as telas dos olhos; o todo se faz valer intimidade primaveril.

Abraços

Valéria Sorohan disse...

Quase uma prece à natureza.

BeijooOs, Pri.

A.S. disse...

Na humanidade perdida, ainda há mãos que vestem a noite de verão, mas já há pegadas de outono sobre a água...


BjO´ss
AL

O Espelho de Eva disse...

Retorno! Ainda antes dizer RENASÇO!
Broto de galhos secos e retorcidos de juízo.
Ressurjo entre as cinzas, não, não como me tens - Ave rara!
Liberto-me apenas de mim mesma e grito em palavras no papel os sons de dentro, ou ainda os silêncios, estes sim mais ensurdecedores. Emudecem por fora e ecoam estrondosos por dentro!
Volto ao mundo, reencarnada de novo em mim, sem jamais ter morrido, mas sendo tão fantasma nas noites de distância, nos dias de aproximação...
Estou aqui!
Viva!
Audaz!
Sequiosa do que ouvir, ler, e sentir da palavra escrita, da palavra falada, mas que seja palavra.
Entrego-me, e sou Eu de novo, mas nada é novo.

Obrigada por não desistir de mim.

Jorge Pimenta disse...

priscila, porque há uma árvore em cada coração e em cada poema, cruzo o rasto de tinta que aqui e viaja para as luzes e as sombras:
priscila,
por ter caído na redenção de vidro, ontem contestei o coração que arqueja na poesia. tantas são as vezes em que o céu é costurado de estrelas, mesmo que seja dia e a chuva lhe rasgue o ventre; tantas são as ve(o)zes que o sangue é licor, mesmo que o cadáver esteja pútrido, já; tantas são as vezes que as lágrimas são corcéis alados sobre tapetes de camélias, quando os olhos se afogam no sal.
entre o túmulo e a ressurreição, somos lázaros de cristal que não sabem por onde se abre o trilho prometido... falsamente prometido, acrescentaria...
apesar de tudo, quem lhe resiste? um brinde à poesia! à tua, à minha e a de quantos não sabem viver (ou morrer) sem ela. porque temos árvores no coração (e, às vezes, coração...).
um abraço!